domingo, 10 de março de 2013

EM CACHOEIRA/BAHIA



Reconhecimento
Jornalista Augusto Ferreira Motta,
 memória que  se perpetua ante a força de seus valores
 
Por Luciano Borges
Diretor do Jornal O Guarany

Entre inúmeros discursos pronunciados na Câmara Municipal da Cachoeira, em solenidades mais recentes, todos bem colocados, segundo a inteligência de cada orador, destacam-se dois, ambos pronunciados pelo vice-prefeito Wilson Lago. Na primeira manifestação, Wilson Lago expressou raciocínio sobre “conhecimento” e “reconhecimento”, no evento em que a APAE prestou homenagem ao ex-prefeito Fernando Antônio da Silva Pereira, reconhecendo-lhe o apreço à Instituição  dedicada a educar portadores de excepcionalidade, durante seu mandato de chefe do Executivo municipal. Wilson Lago disse que “conhecimento” é livre, é fácil, todos têm plena liberdade de conquistá-lo, pode fazê-lo nas escolas, nos livros, na internet, etc. Só depende da própria iniciativa. Já o “reconhecimento” é um gesto raro. Poucos são os portadores da sensibilidade do  “reconhecimento”. Há os que mesmo tendo ciência dos valores de alguém, resistem reconhecê-los. Até se opõem para que gestos dessa natureza não se solenizem, não conquistem foro de expressão. 

O segundo discurso foi na solenidade de posse das novas autoridades do Poder Executivo e Poder Legislativo, para os atuais mandatos, também na Câmara Municipal. 

O vice-prefeito desenvolveu seu raciocínio usando destacada metáfora para referir-se à passagem de cidadãs e cidadãos na vida da suas comunidades. Disse ele que alguns são semelhantes a cometas, raramente são vistos, passam veloz, quase ninguém vê ou lembra, já outros são como as estrelas. São  existências permanentes,  se eternizam.

Cometas assustam, ameaçam esmagar planetas, permanecem escondidos nas trevas da infinita distância. Sua assustadora aproximação da Terra só se dá depois de milhões e milhões de anos. Assim, raramente são vistos ou alcançados por integrantes da mesma geração. As estrelas, ao contrário, são luzes permanentes, iluminam o horizonte, decoram os céus. Não se abalam, permanecem para sempre.

Usando a mesma metáfora, pode-se afirmar que entre as estrelas mais brilhantes do passado, do presente e do porvir,  no cenário familiar,  político, cultural e educacional da sociedade cachoeirana, está  o saudoso jornalista Augusto Ferreira Motta, razão por que 125 anos depois da cerimônia do seu rito de passagem para o Oriente Eterno, aos 28 anos de idade,  ele prossegue vivo e atuante, em sua terra, revestido do soberano poder da ubiqüidade e da bi-locação, retratado na obra “Roma Negra,” de autoria do seu trineto, o jornalista Robson Motta do Val, em cujas páginas figura como protagonista. A mesma unção está, em especial, no  Jornal O Guarany, por ele fundado no idos de 1876, com circulação diária. Interrompido em 1888, logo após seu passamento, é, por nós, reconstruído, isto é, reconduzido à existência desde 1990,  em edições mensais. Mais recentemente,  O Guarany tem  duas versões: a on-line, com notícias diárias e a impressa, uma vez por mês, cobrindo eventos sociais, políticos, ocorrências diversas, solenidades culturais e religiosas, etc., registrando fatos e a movimentação da sociedade atual para o presente e para a posteridade. Razão por que a atual direção do Jornal O Guarany, em reconhecimento aos méritos do seu ilustre fundador, o saudoso jornalista cachoeirano Augusto Ferreira Motta, presta-lhe homenagem à sua memória, destacando a firmeza do seu caráter, de sua honra, de sua dignidade.

A Mesa Diretora da Câmara Municipal deferiu a solicitação de incorporar esta homenagem às solenidades de aniversário da cidade, neste 13 de março de 2013,   gesto com que reconhece  os mencionados valores presentes na personalidade do ilustre cachoeirano Augusto Ferreira Motta, que também foi um dos mais brilhantes vereadores da Cachoeira,  na década de 1880.


                                                                               




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