Reconhecimento
Jornalista Augusto Ferreira Motta,
memória que se perpetua ante a força de seus valores
Por Luciano Borges
Diretor do Jornal O Guarany
Entre inúmeros discursos pronunciados na Câmara
Municipal da Cachoeira, em solenidades mais recentes, todos bem colocados,
segundo a inteligência de cada orador, destacam-se dois, ambos pronunciados
pelo vice-prefeito Wilson Lago. Na primeira manifestação, Wilson Lago expressou
raciocínio sobre “conhecimento” e “reconhecimento”, no evento em que a APAE
prestou homenagem ao ex-prefeito Fernando Antônio da Silva Pereira,
reconhecendo-lhe o apreço à Instituição
dedicada a educar portadores de excepcionalidade, durante seu mandato de
chefe do Executivo municipal. Wilson Lago disse que “conhecimento” é livre, é
fácil, todos têm plena liberdade de conquistá-lo, pode fazê-lo nas escolas, nos
livros, na internet, etc. Só depende da própria iniciativa. Já o “reconhecimento”
é um gesto raro. Poucos são os portadores da sensibilidade do “reconhecimento”. Há os que mesmo tendo
ciência dos valores de alguém, resistem reconhecê-los. Até se opõem para que
gestos dessa natureza não se solenizem, não conquistem foro de expressão.
O segundo discurso foi na solenidade de posse das novas
autoridades do Poder Executivo e Poder Legislativo, para os atuais mandatos, também
na Câmara Municipal.
O vice-prefeito desenvolveu seu raciocínio usando
destacada metáfora para referir-se à passagem de cidadãs e cidadãos na vida da
suas comunidades. Disse ele que alguns são semelhantes a cometas, raramente são
vistos, passam veloz, quase ninguém vê ou lembra, já outros são como as estrelas.
São existências permanentes, se eternizam.
Cometas assustam, ameaçam esmagar planetas, permanecem
escondidos nas trevas da infinita distância. Sua assustadora aproximação da
Terra só se dá depois de milhões e milhões de anos. Assim, raramente são vistos
ou alcançados por integrantes da mesma geração. As estrelas, ao contrário, são
luzes permanentes, iluminam o horizonte, decoram os céus. Não se abalam,
permanecem para sempre.
Usando a mesma metáfora, pode-se afirmar que entre as estrelas
mais brilhantes do passado, do presente e do porvir, no cenário familiar, político, cultural e educacional da sociedade
cachoeirana, está o saudoso jornalista
Augusto Ferreira Motta, razão por que 125 anos depois da cerimônia do seu rito
de passagem para o Oriente Eterno, aos 28 anos de idade, ele prossegue vivo e atuante, em sua terra, revestido
do soberano poder da ubiqüidade e da bi-locação, retratado na obra “Roma Negra,”
de autoria do seu trineto, o jornalista Robson Motta do Val, em cujas páginas
figura como protagonista. A mesma unção está, em especial, no Jornal O Guarany, por ele fundado no idos de
1876, com circulação diária. Interrompido em 1888, logo após seu passamento, é,
por nós, reconstruído, isto é, reconduzido à existência desde 1990, em edições mensais. Mais recentemente, O Guarany tem duas versões: a on-line, com notícias diárias
e a impressa, uma vez por mês, cobrindo eventos sociais, políticos, ocorrências
diversas, solenidades culturais e religiosas, etc., registrando fatos e a
movimentação da sociedade atual para o presente e para a posteridade. Razão por
que a atual direção do Jornal O Guarany, em reconhecimento aos méritos do seu ilustre
fundador, o saudoso jornalista cachoeirano Augusto Ferreira Motta, presta-lhe
homenagem à sua memória, destacando a firmeza do seu caráter, de sua honra, de
sua dignidade.
A Mesa Diretora da Câmara Municipal deferiu a
solicitação de incorporar esta homenagem às solenidades de aniversário da
cidade, neste 13 de março de 2013, gesto com que reconhece os mencionados valores presentes na
personalidade do ilustre cachoeirano Augusto Ferreira Motta, que também foi um
dos mais brilhantes vereadores da Cachoeira,
na década de 1880.
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