quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Editorial
A imagem do jornalista


O ex-governador da Bahia, o saudoso ACM era bacharel em Medicina, mas nunca exerceu a profissão.  Exerceu o jornalismo antes de se tornar político famoso. Foi um dos gênios da sobrevivência política. Teve a confiança do poder desde o presidente Juscelino Kubitschek, passando pelos governos militares, até chegar a José Sarney e Fernando Collor. Ninguém melhor de quem conviveu três anos consecutivos trabalhando com ele, conheceu de perto a sua família, a manifestação de seus apreços e desapreços, até poder abdicar da estreita convivência, construindo outro futuro, sem as alianças da submissão impostas por uma personalidade vibrante, mas dominadora, autoritária e opressora. Depositário de valiosos segredos, ACM é autor de uma frase polêmica sobre a arte de buscar notícias: “Há dois tipos de jornalistas: os que gostam de dinheiro e os que gostam de informação. Nunca se deve dar dinheiro aos que querem informação, nem informação aos que querem dinheiro,” dizia ele.

Não é uma imagem dignificante do jornalista, por pressupor a possibilidade do suborno – se não servir a informação, o dinheiro resolve. A frase de ACM exagera, mas tem ingredientes de verdade. Favores e informação são, de fato, instrumentos para tentar neutralizar o jornalismo independente.





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