Editorial
A imagem do jornalista
O ex-governador da Bahia, o saudoso ACM era bacharel
em Medicina, mas nunca exerceu a profissão.
Exerceu o jornalismo antes de se tornar político famoso. Foi um dos
gênios da sobrevivência política. Teve a confiança do poder desde o presidente
Juscelino Kubitschek, passando pelos governos militares, até chegar a José
Sarney e Fernando Collor. Ninguém melhor de quem conviveu três anos
consecutivos trabalhando com ele, conheceu de perto a sua família, a
manifestação de seus apreços e desapreços, até poder abdicar da estreita
convivência, construindo outro futuro, sem as alianças da submissão impostas
por uma personalidade vibrante, mas dominadora, autoritária e opressora.
Depositário de valiosos segredos, ACM é autor de uma frase polêmica sobre a
arte de buscar notícias: “Há dois tipos de jornalistas: os que gostam de
dinheiro e os que gostam de informação. Nunca se deve dar dinheiro aos que
querem informação, nem informação aos que querem dinheiro,” dizia ele.
Não é uma imagem dignificante do jornalista, por
pressupor a possibilidade do suborno – se não servir a informação, o dinheiro
resolve. A frase de ACM exagera, mas tem ingredientes de verdade. Favores e
informação são, de fato, instrumentos para tentar neutralizar o jornalismo
independente.

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