Marta envia à CGU documentos sobre irregularidades em contratos de R$ 105 mi na gestão de Juca Ferreira
Ex-ministra classificou primeira passagem do novo titular da pasta como "muito ruim". Em 2012, auditoria provocou demissão da diretora de Audivisual
A senadora Marta Suplicy concede entrevista nos
corredores do Congresso
(Alan Marques/Folhapress)
Na reveladora entrevista que concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo,
a ex-ministra da Cultura, Marta Suplicy afirmou ter enviado à
Controladoria-Geral da União “tudo sobre irregularidades e desmandos” da
primeira passagem de Juca Ferreira pela pasta. Reconduzido ao cargo
pela presidente Dilma Rousseff, Ferreira reassume o ministério nesta
segunda-feira. Entre os documentos enviados por Marta à CGU estão dados
sobre irregularidades em parcerias de 105 milhões de reais firmadas pela
pasta na gestão de Ferreira, segundo reportagem da edição desta
segunda-feira do jornal. As irregularidades teriam sido cometidas em
contratos com a Cinemateca Brasileira, órgão vinculado à Cultura com
sede em São Paulo.
Leia também: Marta ataca escolha de Juca Ferreira para Cultura
Auditoria do órgão de controle detectou problemas no uso de recursos
da Cultura pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) – entidade coirmã
da primeira que apoia projetos de preservação da produção audiovisual.
Marta tomou conhecimento do conteúdo da investigação em 2012, e demitiu a
então secretária de Audiovisual da pasta, Ana Paula Santana.
De acordo com o documento, a SAC recebeu 111 milhões de reais do
ministério entre 1995 e 2010 - 94% do dinheiro referem-se a um termo de
parceria executado na gestão de Juca Ferreira. Segundo o jornal, um dos
relatórios da CGU afirma que a entidade foi contratada por opção do
ministério, sem consulta a outros interessados, e que projetos foram
aprovados sem avaliação adequada dos custos. Ainda segundo auditores, a
SAC dispensava irregularmente licitações para compra de materiais e
serviços.
O documento enviado por Marta à CGU informa também que a entidade
cobrava uma taxa para cobrir suas despesas com a administração de
projetos. Na ocasião, o órgão de controle determinou o ressarcimento
desses valores aos cofres públicos, uma vez que não foi demonstrada a
composição da cobrança, que seria irregular. Para atividades de 49
milhões de reais, segundo o jornal, a taxa era de 2,6 milhões de reais. O
relatório ainda aponta favorecimento de funcionários da Cinemateca na
execução dos projetos. Procurado pelo jornal, Juca Ferreira não quis se
pronunciar.
À edição deste domingo do jornal, Marta falou sobre os recentes
escândalos envolvendo o partido e contou que o ex-presidente Lula também
estava incomodado com Dilma e tinha pretensões de ser o candidato do PT
nas eleições presidenciais já em 2014. Marta ainda definiu o chefe da
Casa Civil, Aloizio Mercadante, como “inimigo” e afirmou que o
presidente da sigla, Rui Falcão, “traiu o projeto do PT.” Ela não quis
confirmar, mas deu indícios de que deixará o partido. A senadora ainda
classificou a gestão de Juca Ferreira como “muito ruim”.
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