Entrevista
As manipulações do Poder
Você precisa saber! Não
deixe de ler esta entrevista até o fim.
Entrevistado
pelo jornalista Matheus Sodré para sua página na Internet, leia o que diz
o Prof. Pedro Borges dos Anjos sobre o exercício do profissional da
informação:
Matheus Sodré: O
senhor concorda com a exigência do diploma de jornalista para o exercício da
profissão?
Pedro Borges: A mais
recente geração de jornalistas tem mesmo que ter o curso de graduação em
Jornalismo, fazer cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado, e diversos
pós-doutorados, na área e sucessivos cursos de gramática e redação em língua
Portuguesa, só assim, deixarão de desfigurar tanto seus textos, às vezes,
chegam a começar pelo fim, com que dificultam os leitores de saber o que
eles estão querendo informar. Há exceções, é claro!
Matheus Sodré: E os
da antiga geração?
Pedro Borges: As
faculdades de jornalismo são instituições recentes. Os da antiga geração não
passaram por escola superior de comunicação. Eram profissionais formados em
outras áreas, especialmente Direito, Letras, etc. Muitos jornalistas famosos do
passado, alguns ainda estão em exercício, não passaram por curso superior.
Alguns só tinham, ainda têm, entre esses, exímios profissionais da comunicação,
cuja nível educacional formal sequer ultrapassa a faixa do curso
fundamental, isto é, o antigo primário.
Matheus Sodré: Por
exemplo.
Pedro Borges: Na
Bahia, o saudoso escritor Walfrido Moraes, autor de “Jagunços e Heróis”, no Rio
de Janeiro, o saudoso jornalista Cruz Rios, do Jornal A Tarde, Amaral
Netto, de renome nacional. Alguns ainda prosseguem atuando na media nacional, a
exemplo de Borris Casoy.
Matheus Sodré: E o
senhor?
Pedro Borges: Além
de minha formação acadêmica com que sou titulado com registro definitivo pelo
MEC, sou jornalista provisionado com registro pela DRT/BA. Busco aperfeiçoar-me
permanentemente. Fiz sucessivos cursos de aperfeiçoamento de Redação Aplicada
ao Jornalismo. Logo que a UFRB instalou-se em Cachoeira, cursei
Filosofia da Comunicação e Metodologia Científica, no CAHL. Com estudos
independentes, pesquiso, há 20 anos, Atos de Fala e Técnicas da Expressão
Escrita, com que amplio permanentemente conhecimento e domínio em Discurso
Perlocutório aplicado ao jornalismo.
Matheus Sodré: Como
deve ser a relação do jornalista com os agentes dos Poderes?
Pedro Borges: Quem
quiser ser bom jornalista e ambicionar agrados do poder e, ao mesmo tempo, o
respeito profissional, é bom ir logo procurando outra atividade. O
jornalismo independente e, portanto, com credibilidade, significa atritos com o
Poder.
Matheus
Sodré: Pode citar um exemplo?
Pedro Borges: Vou
lhe dar um exemplo histórico. Imagine a figura de Tiradentes. O que foi que
apareceu aí em sua mente e na mente de todos os que estão agora lendo
esta entrevista? Eu sei o que está se passando na cabeça de cada um agora.
Matheus Sodré: O
senhor pode descrever o que se passa em minha cabeça agora, depois de sua
pergunta?
Pedro Borges: Claro!
Eu vou lhe dizer. Você viu e aprendeu nos livros escolares, em textos do
jornalismo da época. Vem à cabeça de todos aquela figura magra, sem
camisa, cabelos e barbas longas, olhos tristes e profundos. O jornalista do
Poder registrou assim, os historiadores fizeram livros assim.
Matheus Sodré: O que
o senhor quer dizer?
Pedro Borges: Lamento
dizer que todos fomos vítimas de uma empulhação jornalística e de artistas da
época. Tiradentes foi enforcado no dia 21 de abril de 1792 e esquartejado. Mas
só 200 anos depois, nas comemorações do bicentenário de sua morte, foi
divulgada com mais clareza a informação de que aquele herói, parecido com Jesus
Cristo, nunca existiu.
Matheus Sodré: Como
se prova essa nova versão de Tiradentes?
Pedro Borges:
Sabemos que naquela época os presos eram proibidos de usar barbas e cabelos
longos. No mais, Tiradentes era alferes da Polícia Militar, que, em seu
regimento, exigia cabelo curto e rosto escanhoado.
Matheus Sodré: Quem
deu a Tiradentes aquela imagem?
Pedro Borges:
Jornalistas, artistas, ávidos por esculpir um mártir capaz de facilitar a
mobilização política deram-lhe o aspecto de Cristo, sacrificado pelos romanos.
Matheus Sodré: Que
lição pode-se tirar dessa informação?
Pedro Borges: Mesmo
com esta informação histórica, comprovada por documentos, não será fácil para
você mudar a figura que tem de Tiradentes – está aí um acabado exemplo de força
da manipulação, propagada ao longo do tempo pelos meios de comunicação.
Matheus Sodré: Ainda
hoje existem manipulações dessa natureza?
Pedro Borges: Claro
que sim! Os bastidores do Poder são uma usina de truques e “barbas de
Tiradentes.” A engenharia do Poder é também fascinante, inteligente,
folclórica e irreverente. Devemos estar atentos a tudo: aos assessores de
comunicação e marketing, com seus textos locutórios, com suas detalhadas
pesquisas de opinião pública, devemos estar atentos às amantes, aos
feiticeiros, aos bruxos, etc.
Matheus Sodré: Para
concluir, o que o senhor tem a dizer sobre as pesquisas tão
divulgadas no período da campanha eleitoral? Merecem confiança?
Pedro Borges: Só não
merecem porque são frutos de manipulações diversas, para enganar o público e
até os próprios concorrentes. A vítima mor do mencionado imbróglio, aqui na
Bahia, por exemplo, tem sido o ex-governador Paulo Souto, que sempre apareceu
nas pesquisas muito à frente do seu principal concorrente, mas a manipulação
dos resultados, não devo dizer por quem nem de onde parte, vem dando
vitória ao opositor, e, no primeiro turno! No pleito de 2014, em nível
nacional, a maioria dos brasileiros votou em Joaquina Silvério dos Reis
pensando que era Tiradentes. Incrível! Como no passado, ambos são de Minas
Gerais.
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