quinta-feira, 15 de janeiro de 2015


Entrevista
As manipulações do Poder
Você precisa saber! Não deixe de ler esta entrevista até o fim.

Entrevistado  pelo jornalista  Matheus Sodré para sua página na Internet, leia o que diz o Prof. Pedro Borges dos Anjos  sobre o exercício do profissional da informação:

Matheus Sodré: O senhor concorda com a exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão?
Pedro Borges: A mais recente geração de jornalistas tem mesmo que ter o curso de graduação em Jornalismo, fazer cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado, e diversos pós-doutorados, na área e sucessivos cursos de gramática e redação em língua Portuguesa, só assim, deixarão de desfigurar tanto seus textos, às vezes, chegam a começar pelo fim, com que  dificultam os leitores de saber o que eles estão querendo informar. Há exceções, é claro!

Matheus Sodré: E os da antiga geração?
Pedro Borges: As faculdades de jornalismo são instituições recentes. Os da antiga geração não passaram por escola superior de comunicação. Eram profissionais formados em  outras áreas, especialmente Direito, Letras, etc. Muitos jornalistas famosos do passado, alguns ainda estão em exercício, não passaram por curso superior. Alguns só tinham, ainda têm, entre esses, exímios profissionais da comunicação, cuja nível educacional formal sequer ultrapassa a faixa do curso  fundamental, isto é, o antigo primário.

Matheus Sodré: Por exemplo.
Pedro Borges: Na Bahia, o saudoso escritor Walfrido Moraes, autor de “Jagunços e Heróis”, no Rio de Janeiro,  o saudoso jornalista Cruz Rios, do Jornal A Tarde, Amaral Netto, de renome nacional. Alguns ainda prosseguem atuando na media nacional, a exemplo de  Borris Casoy.

Matheus Sodré: E o senhor?
Pedro Borges: Além de minha formação acadêmica com que sou titulado com registro definitivo pelo MEC, sou jornalista provisionado com registro pela DRT/BA. Busco aperfeiçoar-me permanentemente. Fiz sucessivos cursos de aperfeiçoamento de Redação Aplicada ao Jornalismo.  Logo que a UFRB  instalou-se em Cachoeira, cursei Filosofia da Comunicação e Metodologia Científica, no CAHL.  Com estudos independentes, pesquiso, há 20 anos, Atos de Fala e Técnicas da Expressão Escrita, com que amplio permanentemente conhecimento e domínio em Discurso Perlocutório aplicado ao jornalismo. 

Matheus Sodré: Como deve ser a relação do jornalista com os agentes dos Poderes?
Pedro Borges: Quem quiser ser bom jornalista e ambicionar agrados do poder e, ao mesmo tempo, o respeito profissional, é bom ir logo procurando outra atividade.   O jornalismo independente e, portanto, com credibilidade, significa atritos com o Poder.

Matheus Sodré: Pode citar um exemplo?
Pedro Borges: Vou lhe dar um exemplo histórico. Imagine a figura de Tiradentes. O que foi que apareceu aí em sua mente e na mente de todos os que estão agora   lendo esta entrevista? Eu sei o que está se passando na cabeça de cada um agora.

Matheus Sodré: O senhor pode descrever o que se passa em minha cabeça agora, depois de sua pergunta?
Pedro Borges: Claro! Eu vou lhe dizer. Você viu e aprendeu nos livros escolares, em textos do jornalismo da época. Vem à cabeça de todos  aquela figura magra, sem camisa, cabelos e barbas longas, olhos tristes e profundos. O jornalista do Poder registrou assim, os historiadores fizeram livros  assim. 

Matheus Sodré: O que o senhor quer dizer?
Pedro Borges: Lamento  dizer que todos fomos vítimas de uma empulhação jornalística e de artistas da época. Tiradentes foi enforcado no dia 21 de abril de 1792 e esquartejado. Mas só 200 anos depois, nas comemorações do bicentenário de sua morte, foi divulgada com mais clareza a informação de que aquele herói, parecido com Jesus Cristo, nunca existiu. 

Matheus Sodré: Como se prova essa nova versão de Tiradentes?
Pedro Borges: Sabemos que naquela época os presos eram proibidos de usar barbas e cabelos longos. No mais, Tiradentes era alferes  da Polícia Militar, que, em seu regimento, exigia cabelo curto e rosto escanhoado.

Matheus Sodré: Quem deu a Tiradentes aquela imagem?
Pedro Borges: Jornalistas, artistas, ávidos por esculpir um mártir capaz de facilitar a mobilização política deram-lhe o aspecto de Cristo, sacrificado pelos romanos.

Matheus Sodré: Que lição pode-se tirar dessa informação?
Pedro Borges: Mesmo com esta informação histórica, comprovada por documentos, não será fácil para você mudar a figura que tem de Tiradentes – está aí um acabado exemplo de força da manipulação, propagada ao longo do tempo pelos meios de comunicação. 

Matheus Sodré: Ainda hoje existem manipulações dessa natureza?
Pedro Borges: Claro que sim! Os bastidores do Poder são uma usina de truques e “barbas de Tiradentes.”  A engenharia do Poder é também fascinante, inteligente, folclórica e irreverente. Devemos estar atentos a tudo: aos assessores de comunicação e marketing, com seus textos locutórios, com suas detalhadas pesquisas de opinião pública, devemos estar atentos às amantes, aos feiticeiros, aos bruxos, etc. 

Matheus Sodré: Para concluir, o que o  senhor tem a dizer sobre  as pesquisas tão divulgadas no período da campanha eleitoral? Merecem confiança?
Pedro Borges: Só não merecem porque são frutos de manipulações diversas, para enganar o público e até os próprios concorrentes. A vítima mor do mencionado imbróglio, aqui na Bahia, por exemplo, tem sido o ex-governador Paulo Souto, que sempre apareceu nas pesquisas muito à frente do seu principal concorrente, mas a manipulação dos resultados, não devo dizer por quem nem de onde parte, vem dando   vitória ao opositor, e, no primeiro turno! No pleito de 2014, em nível nacional, a maioria dos brasileiros votou em Joaquina Silvério dos Reis pensando que era Tiradentes. Incrível! Como no passado, ambos são de Minas Gerais.

 Comentários:
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