terça-feira, 30 de dezembro de 2014

NA CIDADE HISTÓRICA DA CACHOEIRA/BAHIA 

FALECIMENTO

Raimundo Barbosa – Caçulinha
Homenagem de Erivaldo Brito



A CACHOEIRA CONQUISTOU no domingo passado, em Santa Luz, o seu oitavo título de futebol amador do estado.  Uma bela conquista que os jornalistas da terrinha atribuem aos Orixás, diminuindo o trabalho de organização de toda uma Diretoria ao longo do campeonato local, convocação de atletas, treinos,etc.

Estava acabando de redigir este texto a fim de parabenizar a diretoria da Liga Cachoeirana de Futebol e todos os envolvidos na importante conquista esportiva quando o telefone tocou; era o meu irmão, Erione, de Salvador, comunicando-me a infausta notícia do falecimento do amigo comum, Raimundo Barbosa, o Caçulinha.

Eu o conheci, - como todos os rapazes da época -, frequentando o Bar Regina, e, portanto, amigo do também amigo Renato Queiroz.

Caçulinha formou-se em Fisioterapia, sendo contratado como preparador físico do time do Vitória da capital do estado.

 
MEMÓRIA
Na década de sessenta, apesar da enorme enchente do rio Paraguaçu, - a maior de todas -, a Cachoeira era uma cidade turisticamente atraente, com um calendário de eventos diversificado, o que levava dezenas de turistas para conhecer o Museu das Alfaias, a Festa da Ajuda, o cardápio da Gruta Azul, a Boa Morte, as matinais do Cine Glória em benefício da Casa dos Velhos e o animadíssimo campeonato com as filiações do Comercial de Muritiba e de a Colônia Esportiva Cachoeirana.

Erione lembrou-me de um jogo em que o Cruzeiro venceu a Colônia, perdeu por 2 a 1. Na segunda-feira seguinte, os torcedores do "time de Morenito" , tendo a frente o nosso irmão, Roque, providenciaram um "desfile fúnebre" enterrando o time da Colônia. Todo mundo de paletó. Roque ia à frente do caixão tocando um bumbo. 

Meses depois a Colônia deu o troco. Caçulinha tinha uma facilidade muito grande de fazer paródias bem-humoradas. Compôs, então, uma paródia em cima de uma música do Jair Rodrigues de muito sucesso à época chamada "Tristeza":


Cruzeiro !
Por favor vá embora,
Já chegou sua hora,
É melhor descansar...
Seu timezinho,
Tá todo cheio de velharia,
Já é demais o seu penar,
Ressuscitei daquele enterro
do outro dia,
Agora vou lhe enterrar...
Lá, lá, lá, lá....
Agora vou lhe enterrar.

 
Era o apogeu do futebol cachoeirano e, naquele ano de 1966, com o time da Colônia conquistando o campeonato em 1966, a cidade ascendia no cenário futebolístico do estado.

Estive com Caçulinha na última vez em que estive na minha terra natal. Eu o encontrei na porta do sobrado da professora Dedé Onofre. Quando informei pra ele que Erione tinha vindo, fomos conversando até a casa da minha mãe, na Rua da Feira. Naquele encontro, eles relembraram de tanta coisa...dos matinais do Cine Glória quando eles com Mateus formaram um trio (que fez um sucesso enorme) e se exibiram naquele show em que eu era o animador. Erione lembrou várias paródias de autoria de Caçulinha que ele nem lembrava mais. Foram momentos agora inesquecíveis.

Com esta singela homenagem deste blogger, quero apresentar aos familiares o meu profundo pesar.

 
Fonte: jornaldeontemhojeesempre.blogspot.com.br

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