A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
*Dimitri Ganzelevitch
*Dimitri Ganzelevitch
Então, leitor, você acha certo uma empresa adquirir três dúzias de
casas, como se de pencas de bananas se tratasse, no centro histórico de
Salvador, declarado patrimônio da humanidade pela Unesco e, sem
justificativa, abandonar as ditas durante anos seguidos?
Pois eu não acho. Denunciar esta agressão é um dever de todos. Está
muito claro: é da humanidade? Portanto é meu. E seu também. Nunca
hesitei, até durante viagens ao exterior, em recorrer aos responsáveis
pelas instituições envolvidas. Assim fiz em Mérida quando reparei o
abandono do sítio arqueológico de Uxmal, no Yucatán mexicano, ou na
cidade de Antígua, na Guatemala. E faria o mesmo na Grécia, na Itália ou
na Califórnia. Temos a obrigação de salvaguardar o que é nosso. Você
discorda?
Em se tratando do centro histórico de Salvador, já tão desprezado e
avacalhado pelas três instâncias que nos governam, não é ameaça nenhuma
de chicanas processuais como estou sofrendo neste momento que vai me
assustar. Não sou nenhum Paulo Francis a morrer de AVC por perseguições
político/jurídicas.
Seria bom a prefeitura de Salvador e o Ministério Público lembrarem da
Constituição Brasileira de 88, não somente no artigo 5° XXII e XIII ao
estabelecer o dever da propriedade atender a sua função social, mas
também, ao definir a política urbana art. 182 salientando a perda da
propriedade desde que não atenda a sua função social. Tem ainda a lei
municipal que afirma que, em caso de abandono do imóvel (...) o
Município de Salvador adquire a propriedade do bem vago três anos depois
de o imóvel ser assim considerado.
De que lado a lei está?
Enquanto tiver energia para tanto, continuarei brigando com minhas
poucas armas por este pedaço de chão, que de Caramuru e Tomé de Souza a
Gregório de Mattos, Castro Alves e Irmã Dulce tanto significa para a
história do Brasil. Agora quem vai entrar na justiça e com relatório
para a Unesco sou eu!
*Dimitri
Ganzelevitch | Produtor cultural | dimitri.bahia@gmail.com
Comentário da Redação do Jornal O Guarany:
O Iphan, na Bahia, seu ditador-mor ofende a soberania do Órgão.
Com péssimo domínio da língua Portuguesa, produzido em
textos recheados de sucessivos erros, mesmo os mais vernaculares, em estilo
redacional próprio de suaçus de aldeias de terceiro mundo, ditador-mórbido do órgão do governo da União, na Bahia, endereçou ao Rotary Club Cachoeira/São
Félix, carta com expressões ofensivas a honra da mencionada unidade rotária, imaginando
que pode (des) tratar homens de bem com linguagem própria dos cervídeos comparsas
que integram o seu bando. Este opressor é um dos mais poderosos dirigentes de
Órgãos públicos do governo federal na Bahia, a permanecer no cargo anos
sucessivos, humilhando e fazendo calar subalternos, com que os torna cúmplices
de suas sucessivas arbitrariedades. E tem seguidores em Cachoeira, os cínicos
que permanecem cativos defensores do opressor.

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