O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), considerou “estranha” a liminar do ministro Gilmar Mendes, do
Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu, na noite passada, a
tramitação do projeto de lei que pretende dificultar a criação de novos
partidos. Aprovada pela Câmara, a proposta está em análise no Senado.
– Estranhamos muito porque foi uma decisão soberana desta Casa, de
forma democrática, transparente. Cumpriu todos os preceitos regimentais
e, portanto, achamos estranha e não concordamos com ela. Vamos ver de
que maneira a gente pode verificar com o Supremo para que o mérito (da
liminar) seja levado rápido (ao plenário da Corte) para que haja uma
decisão correta em relação aos Poderes e às decisões desta casa –
argumentou Henrique Alves.
Na terça-feira, a Câmara concluiu a votação do projeto de lei
que acaba com a possibilidade de deputados migrarem para outro partido
na mesma legislatura e levarem com eles parte do fundo partidário e do
tempo de propaganda política no rádio e na televisão, referentes ao
desempenho eleitoral.
Na prática, o projeto dificulta a criação de partidos, como a Rede
Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva. Opositores da proposta
argumentam que a matéria serve para evitar a candidatura de Marina à
Presidência no ano que vem.
Marina comemora
Em sua página, em uma rede social, Marina comemorou a edição da liminar:
“Derrota do casuísmo. Ganhou a democracia: caiu urgência no Senado e
STF concedeu liminar ao pedido do PSB. O Senador Pedro Simon (PMDB-RS)
foi a voz eloquente e vigorosa dos que se insurgiram contra o casuísmo, e
foram a favor da democracia. Os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Eduardo
Suplicy (PT-SP) mantiveram a fidelidade aos princípios democráticos. O
Senador Petecão (PSD-AC) não usou de dois pesos e duas medidas”,
afirmou.
– É um respeito ao princípio da constitucionalidade e da
impessoalidade, pelos quais o Supremo tem o dever de zelar. Obviamente
havia princípios constitucionais sendo feridos, porque era um projeto
encomendado com dois pesos e duas medidas. O STF tomou a decisão correta
para evitar esse casuísmo. É muito bom para a democracia, para aqueles
que acham que podem fazer leis sob encomenda – afirmou Marina, a
jornalistas.
O autor do mandato de segurança
recebido pelo Supremo, o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg
(DF) também comemorou muito a decisão que susta a tramitação do projeto.
– O STF entendeu que havia um risco pela velocidade injustificada
para uma mudança rápida e profunda no processo político eleitoral e que
poderia haver um grave atentado à Constituição – disse.
Recado ao Planalto
Para o senador Eunício Oliveira (CE), líder do PMDB – que liderou ao
lado do PT a defesa do projeto contra os novos partidos, não resta,
agora, outra decisão que não seja esperar a votação sobre o mérito do
projeto pelo Supremo. Mas adiantou que não irá recorrer contra a
liminar.
– Decisão do Supremo é decisão do Supremo. Agora é esperar. Assim
como estamos esperando pela decisão dos royalties e o povo do Nordeste
passando sede e fome. Eu sou daqueles que acreditam que tem que existir
harmonia entre os Poderes, com cada um no seu quadrado – afirmou.
Autor do pedido de urgência derrubado na sessão tumultuada, o líder
do Bloco União e Força, Gim Argelo (DF) disse que nesta quinta-feira é
dia de parar e repensar as novas estratégias. Sobre a derrubada do
requerimento de urgência, afirmou:
– Ninguém é inocente aqui.
Tinha 76 senadores na Casa. Você acha que alguém deixou isso cair por
acaso? Foi um recado para o Planalto – disse Gim, minimizando a derrota
no plenário.
O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que acompanhou a votação, em Plenário, saiu sem dizer se a favor ou contra o assunto.
– Sou integrante da Executiva do PSB e meu partido nunca se reuniu
para discutir isso. Nunca parei para pensar nesta questão. Mas vejo um
festival de incoerência e oportunismo. Acho que quem defendeu isso para o
PSD deveria continuar defendendo. E quem foi contra o PSD, deveria
continuar sendo. Mas o que se vê, é o oposto. Há incoerência para todos
os lado – concluiu.
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