Alegando
que este artigo/denúncia precisava de um direito de resposta do
Bradesco, o jornal A Tarde recusou a publicação na minha
coluna quinzenal.
O editor considerou a possibilidade de ser publicado posteriormente, com defesa do Bradesco.
“Saúde Bradesco, preferencial, individual”
Por Dimitri Ganzelevitch*
Ao
marcar consulta, o sorriso da recepcionista vai minguando – dá para
adivinhar até pelo telefone – e, com a última palavra, termina com frequência no já esperado “Não atendemos”.
De
preferencial meu plano nada tem. Preferencial é palavra oca, sem
sentido. Assinei em 1997 um contrato para o sossego de meus velhos dias.
Estes já chegaram, mas de sossego nada.
Tal
um carro velho cujo motor apresenta defeitos, especialmente do lado do
escape, resolvi enfrentar o problema comum à maioria dos homens.
A
primeira consulta foi no Hospital Espanhol em 30 de julho de 2012. O
primeiro comprimido de Casodex foi engolido em 22 de fevereiro de 2013.
Sete meses gastos antes de iniciar o tratamento! Durante sete meses fui
jogado de consultório em clínica, de hospital em laboratório, desde
Nazaré - o Hospital Santa Paciência manda “o material” ao laboratório
Álvaro em Cascavel/Paraná, laboratório este que costuma perder as
amostras ou devolver os resultados pela metade - até São Marcos,
passando pela Barra, Campo Grande, Itaigara e novamente Nazaré, Barra
etc.
Não
tendo carro, fui sacudido por mil ônibus, gastei fortunas em taxi,
esperei horas em salas mais gélidas que necrotério, lendo o equivalente
ao acervo da Biblioteca Central. Enfermeiras memorizaram meu nome
completo, me oferecendo até cafezinho.
Entretanto
o câncer, já que é disso de que se trata, ignorou burocracias, domingos
e feriados, avançando sem atropelo sua nefasta tarefa.
Quem
freqüenta hospitais não o faz por divertimento, a não ser
hipocondríaco. É fragilizado não só física, mas também psicologicamente.
Submetido a um verdadeiro calvário, entrará forçosamente em estado
depressivo.
Acrescentando
que pago R$886,47 mensais, nem por isso os R$476,00 do tal Casodex,
parte do tratamento, me são reembolsados pelo plano de saúde Bradesco.
Em
compensação a mesma instituição patrocina grandes eventos, mesmo que
algum venha, por mera rajada de vento, a matar um jovem e levar outros
20 ao hospital.
Não seria mais proveitoso investir “preferencialmente” no atendimento ao segurado?
dimitri ganzelevitch
tel (+55-71) 32-42-64-55
rua direita de santo antônio, 177
salvador 40301-280 bahia brasil
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