Bonfim: ACM Neto foi a 'bola da vez', mas como prefeito de Salvador
por David Mendes
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
Em
fevereiro do ano passado, a Lavagem do Bonfim, principal termômetro
usado pelos políticos baianos para testar suas popularidades,
principalmente em ano de eleição, foi decisiva para que o ainda deputado
federal ACM Neto (DEM) batesse o martelo e decidisse concorrer ao cargo
de prefeito de Salvador. A receptividade da população na época, aliada à
fatídica participação dos seus principais adversários, os petistas,
“iluminaram” os caminhos do, hoje, administrador da capital baiana. Este
ano, mais uma vez, ACM Neto foi a figura mais popular da festa
religiosa mais popular da Bahia. Entretanto, o ano ainda é de 2013, e
eleição só no ano que vem. Confrontado sobre a
possibilidade de disputar o governo da Bahia, o prefeito foi taxativo
sobre 2014: "esqueçam isso!", cortou, em uma rápida parada para
conversar com os repórteres presentes. Nesta quinta-feira (17), apesar
de ter sido, comprovadamente, de novo, a ‘bola da vez’ na festa do
padroeiro dos baianos, o nítido crescimento de sua popularidade e força
política está atrelada à grande expectativa dos soteropolitanos, que
sonham viver em uma cidade melhor. E o próprio ACM Neto reconheceu esse
momento. "Esse ano é o início de um novo governo e de
um novo momento para Salvador. Eu tenho visto as pessoas demonstrarem
muita esperança nesse momento, nesse novo período administrativo",
afirmou em entrevista ao Bahia Notícias.

E os suplícios feitos ao gestor para que se empenhe na tarefa,
que ele mesmo define como ”árdua”, começaram ainda na Basílica de Nossa
Senhora da Conceição da Praia. Durante o ato interreligioso, realizado
na área externa da Basílica, diversos representantes das diversas
religiões presentes no culto ecunêmico pediram empenho à frente do
cargo. Em sua participação, o vigário da Basílica, padre Valson Santos
Sandes, chegou a pedir ao Senhor do Bonfim que dê “forças” ao prefeito
para ajudá-lo a colocar Salvador nos noticiários, mas só com “boas
notícias”. Depois das preces, o prefeito seguiu a sua peregrinação até a
Colina Sagrada ao lado de secretários municipais, vereadores, deputados
e políticos aliados de diversos partidos. O momento "popstar" do
político, que ofuscaria qualquer outra celebridade baiana que se
aventurasse a percorrer os oito quilômetros do percurso, contou com
abraços, beijos, apertos de mãos, parada para foto, mas também com muita
cobrança. “Honre a Bahia como o seu avô honrou. Eu vou confiar em
você”, disse uma idosa que furou o cordão de isolamento e agarrou o
braço do prefeito para que ele escutasse com atenção o recado dado.
“Você está vendo não é ‘preguinho’? Tem que trabalhar, ouviu?”, gritou
um senhor de meia idade que observava a passagem do democrata próximo ao
meio fio. Uma jovem, que acenou e soltou beijos para ACM Neto, mandou
também uma mensagem. “Que o Senhor do Bonfim te ilumine para que você
possa ajudar esse povo sofrido de Salvador”. Já os protestos, só quando
os seguranças que garantiam a sua integridade física perdiam o controle e
agiam de forma truculenta contra as pessoas que tentavam se aproximar
ou ficar no meio do caminho da comitiva.

A caminhada, que durou cerca de quatro horas e também contou com
pedidos de namoro, casamento, emprego e os mais diversos tipos de
ajuda, terminou na Igreja do Bonfim. ACM Neto, visivelmente esgotado
fisicamente, recebeu as bençãos das baianas e ficou por alguns segundos
sozinho a olhar para a imagem do Senhor do Bonfim. Mais cedo ele revelou em entrevista ao BN que iria pedir ao padroeiro dos baianos que o iluminasse para poder "enfrentar
os desafios que não serão pequenos”. Por conta do assédio, que o seguiu
até a porta da igreja, o prefeito teve que deixar o local sem falar com
a imprensa.
Fonte: Bahia Notícias
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