OPINIÃO
O
Mensalão poder terminar em golpe ou revolução
Antes, homens de bem, agora condenados pelo STF, a
mídia, com o seu poder perlocutório, além de desconstruir valores do caráter de
cada um, concorreu com que os ministros da Suprema Corte de Justiça da Nação
concluíssem pelo veredicto condenatório. Juntos, arrasaram, não só com a vida
política dos condenados, como também com valores pessoais de cada um. Arruinaram
a credibilidade, ignorando integralmente a história que hajam construído em
todos esses anos, como se fossem lixos quaisquer causas nobres com as quais
contribuíram para a implantação da democracia no país.
Advogados brilhantes, reconhecidamente competentes,
nenhum deles logrou êxito na defesa de seus constituintes. O raciocínio da
defesa não conquistou foro de expressão entre os ministros da Corte
Suprema, sequer um, com que se pudesse
argumentar ao contrário, com que o raciocínio os conduzisse inclinar-se a outra
direção.
A história revela
que posturas dessa natureza têm fluxo e refluxo. Quando se entra em qualquer
campo no domínio do exagero, produz-se, cedo ou tarde, vigorosa reação. Os
excessos provocam excessos contrários. Decisões temerárias produzem sempre
reações furiosas.
As faces e os
gestos das principais personagens do julgamento do “mensalão” não transmitem
atmosfera de paz nem de justiça. As posturas são reconhecidamente hostis, um e
outro, não mostram isenção de estarem sendo usados por forças malignas que
tanto têm destruído valores, aqui e alhures. Razão por que o deputado Marco
Maia (PT/RS), presidente da Câmara Federal, disse que ofereceria abrigo no prédio da Casa, aos parlamentares
condenados no mensalão, caso o ministro Joaquim Barbosa decretasse a prisão
imediata deles, a pedido do Procuradoria
Geral da República. Ainda bem que o presidente do STF recuou. Para acirrar
ainda mais o animus, ainda que proibida legalmente, a Polícia Federal ameaçou
adentrar o prédio, onde os
condenados ficariam protegidos. Veja
o disse o parlamentar presidente: "Prefiro acreditar que eles não serão
presos. Ocorreu o fato? A partir do fato ocorrido, teremos que tomar uma
posição sobre ele", disse Maia, quando questionado a respeito em coletiva à imprensa. O deputado fez
referências a golpes de Estado e a regimes totalitários ao comentar a decisão
do STF de determinar a cassação de mandato dos deputados condenados no
julgamento do mensalão. Ele não fez relação direta entre o totalitarismo e a
decisão do Supremo, mas fez diversas analogias a esse respeito. "Nos
grandes golpes, a primeira coisa que se faz é cassar mandatos. Então, precisa
sempre ser muito bem debatido. Não pode o Executivo cassar mandatos, mas não
pode, também, o Judiciário", afirmou.
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