DESFAZENDO O PROPÓSITO ESPÚRIO DOS MALDOSOS E DERROTADOS
Jornal O Guarany em sua edição de 16 de maio de 1878
JORNAL "O GUARANY" LASTIMA O ESTADO DE ABANDONO EM QUE CACHOEIRA SE ENCONTRAVA NAQUELE PERÍODO
O estado de aparente abandono da Cachoeira, com muita sujeira nas ruas da cidade e a falta de ação do poder público municipal levaram o Jornal O GUARANY a publicar, em 16 de maio de 1878, um irado editorial contra "o estado de nossa infeliz Cachoeira",
que termina apelando por providências à Câmara Municipal (na época, era
quem administrava as cidades!) A leitura completa do exemplar dá-nos
uma ideia de como eram feitos o jornalismo e a publicidade na época.
Além do editorial, que ocupa espaço nobre na primeira página, neste
exemplar são encontrados também a parte noticiosa, anúncios comerciais e
avisos da fuga de uma escrava e de utilidade pública, informes
necrológicos e até literatura, com trechos de uma pequena novela -
escrita em capítulos - bem ao gênero do que se escrevia nos jornais do
Rio de Janeiro, a capital do Império.
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as palavras e facilitar a leitura
O jornal, fundado e administrado em sua primeira fase pelo
abolicionista Augusto Motta, e na segunda, a atual, pelo jornalista Prof. Pedro Borges, DRT/BA No. 5027 e REG MEC No. 5027, em sua edição de 16 de maio de 1878, fez uma crítica à escravidão ao noticiar o
embarque, feito na véspera, de 32 escravos que chegaram à Cachoeira
vindos do Piauí e Pernambuco. A documentação deles estava irregular e
por conta disso eles foram apreendidos dos traficantes e, por ordem do
Presidente da Província, foram encaminhados à cidade da "Bahia"
(Salvador) onde certamente seriam leiloados. A notícia termina com a
indagação de até quando o país continuaria com a "mancha da escravidão"
sujando o pavilhão auri-verde do Brasil, bem ao estilo da poesia
condoreira de Castro Alves, o Poeta dos Escravos, que havia morrido sete
anos antes.
A crítica aos costumes da época e a narração de episódios de cunho policial também tinham espaço nas páginas de "O GUARANY"
A diversidade de anúncios, de gêneros de todos os tipos, demonstra a força do comércio cachoeirano.
A fuga de uma escrava "tipo nagô", da Fábrica São Carlos, no Tororó, foi
noticiada, com a promessa de uma recompensa para quem achá-la e
devolve-la ao dono.
Fonte:Vapor de Cachoeira, texto editado pelo jornalista Jorge Ramos, com adpatações produzidas pelo Prof. Pedro Borges, editor-chefe do atual Jornal O Guarany.




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