sexta-feira, 9 de novembro de 2012

DESFAZENDO O PROPÓSITO ESPÚRIO DOS MALDOSOS E DERROTADOS

Jornal O Guarany em sua edição de 16 de maio de 1878


JORNAL "O GUARANY" LASTIMA O ESTADO DE ABANDONO EM QUE CACHOEIRA SE ENCONTRAVA NAQUELE PERÍODO

O estado de aparente abandono da Cachoeira, com muita sujeira nas ruas da cidade e a falta de ação do poder público municipal levaram o Jornal O GUARANY a publicar, em 16 de maio de 1878,  um irado editorial contra "o estado de nossa infeliz Cachoeira", que termina apelando por providências à Câmara Municipal (na época, era quem administrava as cidades!) A leitura completa do exemplar dá-nos uma ideia de como eram feitos o jornalismo e a publicidade na época. Além do editorial, que ocupa espaço nobre na primeira página, neste exemplar são encontrados também a parte noticiosa, anúncios comerciais e avisos da fuga de uma escrava e de utilidade pública, informes necrológicos e até literatura, com trechos de uma pequena novela - escrita em capítulos - bem ao gênero do que se escrevia nos jornais do Rio de Janeiro, a capital do Império.

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   as palavras e facilitar a leitura
O jornal, fundado e administrado em sua primeira fase pelo abolicionista Augusto Motta, e na segunda, a atual, pelo jornalista Prof. Pedro Borges, DRT/BA No. 5027 e REG MEC No. 5027,   em sua edição de 16 de maio de 1878, fez uma crítica à escravidão ao noticiar o embarque, feito na véspera, de 32 escravos que chegaram à Cachoeira vindos do Piauí e Pernambuco. A documentação deles estava irregular e por conta disso eles foram apreendidos dos traficantes e, por ordem do Presidente da Província, foram encaminhados à cidade da "Bahia" (Salvador) onde certamente seriam leiloados. A notícia termina com a indagação de até quando o país continuaria com a "mancha da escravidão" sujando o pavilhão auri-verde do Brasil, bem ao estilo da poesia condoreira de Castro Alves, o Poeta dos Escravos, que havia morrido sete anos antes.  
A crítica aos costumes da época e a narração de episódios de cunho policial também  tinham espaço nas páginas de "O GUARANY"
A diversidade de anúncios, de gêneros de todos os tipos,  demonstra a força do comércio cachoeirano.

A fuga de uma escrava "tipo nagô", da Fábrica São Carlos, no Tororó, foi noticiada, com a promessa de uma recompensa para quem achá-la  e devolve-la ao dono.
Fonte:Vapor de Cachoeira, texto editado pelo jornalista Jorge Ramos, com adpatações produzidas pelo Prof. Pedro Borges, editor-chefe do atual Jornal O Guarany.

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