domingo, 30 de janeiro de 2011

SANTIAGO/CHILE

Salvador Allende

Palácio de La Moneda

Testemunha da morte de Allende afirma a possibilidade de suicídio

Autoridades judiciais abrem pela primeira vez inquérito sobre morte de Salvador Allende

O médico Patrício Guijón, colaborador do ex-Presidente chileno Salvador Allende, reiterou, na sexta-feira, ter presenciado o instante em que o ex-dirigente se suicidou no Palácio de La Moneda no dia 11 de Setembro de 1973, durante o golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet.
“Vi quando a cabeça de Allende estoirou, os ossos da cabeça e a massa encefálica espalharam-se, ele estava sentado numa poltrona encostada à parede na direcção da rua, e estava com uma arma nas mãos”, disse o médico, de 76 anos e já aposentado, à “Rádio Cooperativa”.
As circunstâncias da morte do ex-Presidente do partido da Unidade Popular (UP) vieram novamente a público depois da Justiça decidir investigá-las.
O caso de Salvador Allende está entre as 726 queixas por violações aos direitos humanos durante o regime de Pinochet (1973-1990) que foram apresentadas perante o Ministério Público do Chile.
A hipótese do suicídio do ex-Presidente é a mais difundida e foi confirmada pela família e por alguns testemunhos directos, como o de Guijón.
Como reiterou em algumas ocasiões anteriores, o médico explicou que em 11 de Setembro de 1973, enquanto o palácio de La Moneda ardia após ser bombardeado, Allende deu ordens aos seus guardas para que se rendessem e seguissem em fila até uma porta lateral da sede do palácio governamental. Savador Allende percorreu a fila de baixo para cima,apertou as mãos de todos os colaboradores, agradeceu a lealdade de cada um e logo depois entrou no salão “Independência”, na ala Nordeste do segundo andar do Palácio La Moneda.
Naquela altura, Guijón regressou ao segundo andar para ir buscar uma máscara antigás e afirma que presenciou o momento em que Allende disparou no queixo com uma arma AK-47.
A senadora Isabel Allende, filha do falecido líder, saudou a abertura da investigação judicial, embora tenha reiterado que a família acredita “sinceramente” na versão dos factos dos médicos que estiveram com o seu pai.
“O meu pai tinha dito com toda a clareza que ele não sairia vivo do Palácio La Moneda.
Queria demonstrar com um gesto de dignidade que os presidentes constitucionais têm que exercer o seu mandato até ao final”, disse Isabel em entrevista à Agência Efe em Espanha.
A favor da tese que Salvador Allende foi assassinado existe um relatório do especialista legal Luis Ravanal, que detectou várias anomalias na análise da autópsia do ex-Presidente e sustenta que o orifício de saída do projéctil não coincide com a arma utilizada .

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