A reação do DEM pode dificultar votações de propostas de interesse do governo. "Por que vamos aprovar os projetos do pré-sal?", indaga Bornhausen, que já está articulando a obstrução com o PSDB.
"Se querem radicalização, vamos entregar o produto, e que aprovem o que quiserem com os votos deles; não com os nossos", propõe Bornhausen. "A Câmara pode ser usada como instrumento eleitoral contra o nosso partido, e isto nós não vamos permitir", concorda o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
O líder acusa o PT de mobilizar "células autônomas para destruir a oposição" e de fazer uma "pajelança" com o mesmo objetivo, durante o Congresso do partido no fim de semana. "Nos tiraram da categoria de adversários, para inimigos. Isto é prática stalinista de quem não quer adversário na eleição", diz Bornhausen.
Rodrigo Maia lembra que o discurso dos petistas no Congresso partidário no último fim de semana remeteu a uma frase do ex-presidente do partido Jorge Bornhausen em 2006 - "a gente vai se ver livre dessa raça por pelo menos uns 30 anos". Diz que o PT tentou atualizar a frase antes qualificada como preconceituosa, na base do "tentaram acabar com nossa raça, agora vamos acabar com a raça deles". Depois disso, conclui Maia, "ficou claro que o ambiente é de confronto e requer toda atenção porque tomaram o caminho de nos ter como inimigos".
A cúpula do partido está convencida de que a oportunidade de o partido crescer é agora. "Oposição cresce em período eleitoral e o PT é a prova disso. Vão ter que nos aturar", encerra Bornhausen.