sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

BRASÍLIA/DF: Analistas dizem que indecisão de Paulo Octávio agrava instabilidade no Distrito Federal

Governador interino ameaçou renunciar ao cargo, mas decidiu continuar no comando
Gabriel Mestieri, do R7
 
Paulo Octávio em pronunciamento nesta quinta, quando anunciou que continuaria no governo

A indecisão de Paulo Octávio sobre se fica ou não no governo deixa ainda mais instável o cenário político no Distrito Federal, dizem analistas ouvidos pelo R7. Nesta quinta (18), após anunciar a aliados que iria renunciar, Paulo Octávio afirmou que fica no governo por mais alguns dias. Ainda assim, disse o interino, uma carta de renúncia está pronta e foi entregue à deputada Eliana Pedrosa, líder do DEM na Câmara do DF. Segundo o cientista político e pesquisador da Unb (Universidade de Brasília) Leonardo Barreto, um número grande de possibilidades de o que acontecerá daqui pra frente gera um clima de incerteza prejudicial à capital do Brasil.
- Há várias possibilidades, e a gente não sabe o que vai acontecer. Os palpites dos analistas têm validade de cinco minutos.
O analista se refere aos nomes que podem assumir o governo caso Paulo Octávio renuncie nos próximos dias. Inicialmente, o cargo deveria ser do presidente da Câmara, Wilson Lima (PR), aliado de Arruda. Se Lima não se considerar apto para o cargo, o vice da Câmara, Cabo Patrício (PT), assume o governo. Mas isso também não deve acontecer e o cargo deve “sobrar” para o presidente do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal), Nívio Gonçalves. Há ainda a possibilidade de intervenção federal, que é julgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ainda de acordo com Barreto, há dúvidas sobre se, caso saia da prisão, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) pode voltar ao governo.
Para outro cientista político da Unb, o professor emérito David Fleischer, o recuo de Paulo Octávio em renunciar está relacionado a uma falta de alternativas ao interino. - Paulo Octávio não encontrou condições de montar um governo, mas não quis deixar o Distrito Federal no vazio. O presidente da Câmara Legislativa [Wilson Lima, que poderia assumir] é um fantoche de Arruda. Portanto, acho que PO decidiu ficar até que o STF decida sobre a intervenção.
Os cientistas concordam, entretanto, que o DF não deve se tornar uma “terra de ninguém” com a indecisão sobre quem está no comando. Serviços básicos como condução de obras e recolhimento de lixo não devem ser prejudicados, diz Barreto.
- Os serviços básicos à população continuam funcionando, a burocracia toca, está ali para isso.
Já projetos que exigem uma condução política mais sofisticada podem ser prejudicados.
- Os preparativos para a cidade ser sede da Copa de 2014, por exemplo. Esse processo fica parado.

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