Volta à cidade da Cachoeira a Yalorishá, Mãe Beata de Yemanjá, para protagonizar documentário sobre sua vida. Produzido pelo seu filho caçula Aderbal Ashojun, que já trabalha na área de produções, o documentário procura reviver alguns espaços percorridos por sua mãe durante seus 79 anos de vida.
Aderbal justifica a idéia desta produção, pela necessidade de exaltar uma outra faceta de sua mãe, que é/foi de certa forma esquecido por todos os outros trabalhos feitos à respeito de sua vida. "Minha motivação foi a partir da necessidade de mostrar o outro lado de minha mãe, aquela que é sofrida, batalhadora e que não é só a representante do Candomblé." Questionado sobre o por quê de esse outro olhar nunca ter sido conferido à sua mãe, ele diz, "Porque politicamente não interessava, exaltar uma mulher negra, pobre e vinda da Bahia que venceu na vida e cultua a religião do Candomblé”. Seu contato com esta religião de matriz africana é anterior ao seu nascimento que ocorreu dentro do terreiro “debaixo do pé de Iroco”, como ele relata “dentro do terreiro de Candomblé, já havia um médico de pré-aviso sobre meu nascimento para auxiliar minha mãe na hora de meu parto, que foi cesariana porque ela não tinha passagem suficiente”.
Perguntado sobre sua infância dentro de uma família ligada às tradições africanas, ele diz que foi uma infância normal “apenas com a particularidade de sermos criados sob os preceitos do Candomblé. A maior obra realizada por minha mãe foi criar meus irmãos e eu sob os princípios da verdade, do respeito ao próximo e à natureza.”
Hoje, Aderbal dirige uma ONG vinculada à preservação da natureza e educação ambiental dentro dos terreiros de Candomblé, com a parceria do INGÁ – Instituto de Gestão das Águas e Clima, do Governo da Bahia, da Secretaria da Cultura, do Omo Aro Cultural e o INTECAB - Instituto Nacional da Cultura Afro-Brasileira. O projeto Oku Abo procura garantir que as comunidades de terreiro tenham acesso às lagoas, cachoeiras, além da livre expressão de sua religiosidade, e conservação de seus bens naturais.
Mãe Beata de Yemanjá foi iniciada no Candomblé por Mãe Olga do Alaketu, no terreiro de Ilê Maria Laji, em Salvador. Participou de inúmeros eventos, muitos deles internacionais divulgando a importância da religião de matriz africana pelo mundo, em países como Holanda, Alemanha e Estados Unidos. Mãe Beata de Yemanjá possui inúmeros projetos sociais ligados ao seu terreiro de Candomblé, localizado no Rio de Janeiro, cidade que adotou para viver, e acredita que a sua missão na terra é dar voz aos mais fracos e desvalidos, como relata em entrevista à estudante de Comunicação da UFRB Taísa Silveira.
Mantêm ainda um site de sua ONG Criola, voltada para o trabalho com mulheres, adolescentes e meninas negras, basicamente no Rio de Janeiro.
Mãe Beata de Yemanjá ficará na cidade até a próxima semana, onde irá fazer as gravações de algumas tomadas de seu documentário na sua cidade natal, Cachoeira, em seguida retornará para o Rio de Janeiro.
Créditos da foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEht9JPJAetDOSl-xRj0R9w0HrmC9GfXhJL5_iBOmg0WKihJ38SMV5BAxlC1afxFB8ano0_zHOn5GG_H5SJSMOWbb1MjrcBeMFqJjxmP9MLQtg3qoAojHoHimqNdgWSF7mPPGZsc-ie1DcnN/s320/Mae+Beata.jpg

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