sábado, 16 de janeiro de 2010

Luciano Borges dos Anjos




Homenagem póstuma ao amigo

Kaio Fidel de Barros





No dia 12 de janeiro de 2010, a morte precoce do jovem Kaio de Barros, filho do meu grande amigo João Caetano de Barros, levou-me a reviver uma das piores passagens da minha vida: A PERDA DO MEU FILHO LUCIANO ALMEIDA DOS ANJOS JUNIOR ( Lucianinho ).

Fui vitima da dor que hoje assola o coração do meu amigo João. Fui vitima das incertezas que hoje se alojaram na mente dele e de quantos amavam o jovem Kaio de Barros.

Por varias vezes me vi no lugar do meu amigo João, a fazer as mesmas perguntas para Deus ou para alguém que pudesse respondê-las.

A dor de perder um filho é algo que não existem palavras que possam representar.

Vivenciei a vida do jovem Kaio, de apenas 13 anos de idade. Estivemos juntos em festas, almoços e até no trabalho, já que constantemente, aos sábados, ele costumava comparecer à empresa do pai.

Menino novo, sem quaisquer sinais de maldade na mente e no coração, uma trajetória de vida interrompida, sem que haja neste momento uma explicação lógica e sensata.

Hoje, eu prefiro crer que o Grande Arquiteto do Universo um dia me revelará os motivos pelos quais tanto eu quanto JK tivemos que passar por tamanha dor.

Sei quanto foi difícil para mim. Sei quanto lutei para continuar sobrevivendo. Sei quanto aquela dor consumiu minha mente e minha alma. Não foi fácil! Hoje ainda dói, mais não com tanta plenitude como antes.

Hoje estou aqui. Permaneço aqui. Ainda sem as devidas respostas, mas vivendo e suportando para que um dia, quem sabe, eu possa obter as respostas merecidas.

Eu sei que há dores que fazem sentidos, como as dores do parto, por exemplo: uma vida nova está nascendo. Mas existem dores que não fazem sentido nenhum. Existem leitos de morte em que muitos e muitos sofrem uma dor inútil, que nos leva a perguntar: Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Durante os dias em que o jovem Kaio permaneceu internado na UTI do hospital, meu filho Leonardo Fellipe, me encheu de perguntas, as quais prefiro que ele permaneça sem respostas, pelo menos por enquanto.

No dia da lamentável confirmação do falecimento do seu amigo Kaio, a quem ele e minha filha Rafaella Laís lembram com muito carinho, o Léo voltou a interrogar-me, desta vez, com uma pergunta que eu jamais imaginaria: “ Pai, quando eu, o senhor, mainha, Rafinha, meu vô, minha vó e todo mundo morrer, a gente volta da mesma forma? Eu vou voltar sendo eu mesmo, o senhor vai voltar sendo o senhor mesmo, sendo meu pai? Imediatamente, respondi que sim, afinal de contas, o que preocupava meu filho naquele momento era saber se a morte nos separaria, e isso, eu sei, hoje ele não aceita.

Disse a ele que sim, pois a morte não consegue separar o amor que sentimos pelas pessoas que amamos. Disse-lhe que estamos ligados diretamente pelos nossos corações. Não esqueço meu filho Luciano Jr. Tantos anos já se passaram, mas ainda assim, sinto sua presença, seja ao deitar-me, para dormir, depois de um longo dia de trabalho, seja nos meus sonhos quase que reais. Seja no silêncio da madrugada. Seja na alegria de um sorriso de qualquer criança. Essa ligação entre pai e filho. Esse amor que sinto pelo meu querido filho Lucianinho, e que JK sente pelo seu inesquecível filho Kaio permanecerá sempre, nem a morte é capaz de apagar esse sentimento.

Se a MORTE representa o maior projeto elaborado por Satanás, posso dizer que eu derrotei esse maldito projeto. O meu amor pelo meu filho é muito maior do que a guerra travada entre o bem e o mal. É muito mais completo do que as incertezas desta vida. Esse amor supera todos os limites estabelecidos pela própria história revelada nas Escrituras Sagradas.

Ao meu grande amigo JK nada disse, e nada vou dizer, apenas o escutei. O choro e a lamentação de um pai que perde um filho não devem ser sufocados. Apenas coloquei-me em seu lugar. Sei que nesses momentos a dor é tamanha a ponto de ficarmos completamente cegos para o mundo e para as coisas dele, mais sei também que tudo passará e que ele se restabelecerá e se convencerá de que o seu filho Kaio ainda que “ morto” permanece vivo entre nós.

A todos os familiares, tanto por parte de pai quanto por parte de mãe, em especial ao Sr. Caetano, seu tio e padrinho, meio pai do jovem Kaio, a mãe e a sua irmã Suzy, quero que saibam que o jovem Kaio enquanto viveu entre nós deu exemplo de civilidade, educação, generosidade, alegria e de amor, portanto esse é o legado que ele representa. Orgulho para toda família e amigos.




Luciano Borges dos Anjos
14/01/2010





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