sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Valério criava fazendas fictícias no interior da Bahia

Biaggio Talento

O esquema do publicitário Marcos Valério para “esquentar” propriedades fictícias no município baiano de São Desidério, oeste do Estado, descoberto em 2005, funcionava da seguinte forma.

Ele comprava pequenos terrenos e, ao registrar nos cartórios da região, ampliava a área das propriedades, estipulando um valor das terras infinitamente superior aos terrenos que adquiria. Na época que a polícia começou a investigar o caso, das dez propriedades de Valério no oeste baiano, descobriu-se que pelos menos as fazendas Bom Jesus I e II eram imóveis fictícios.

Graças a assinaturas obtidas do casal de agricultores Laurita Maria da Conceição Araújo, de 72 anos, e Aristote Gomes de Araújo (já falecido), o intermediário José Roberto Paixão (espécie de representante do publicitário em São Desidério) "produziu" procurações representando os dois, elaborou escrituras de posse das duas "fazendas" e as vendeu para a DNA Propaganda Ltda, pertencente a Valério, em 26 de setembro de 2000.

Se fossem, de fato, donos das fazendas, dona Laurita e seu Aristote teriam possuído no patrimônio da família dois latifúndios: a Fazenda Bom Jesus I teria 3.510 hectares e a Bom Jesus II, 3.507 hectares, o que certamente propiciaria uma situação bem melhor que vivia a família do agricultor num casebre minúsculo na periferia de São Desidério. Usada como "laranja" incauta na fraude de "fabricação" de dois latifúndios, Laurita disse que recebeu do "procurador" Paixão menos de R$ 500.

Os documentos de venda das supostas propriedades do casal, indicam que as áreas rurais que pertenceriam à Fazenda Barra foram rebatizadas com os nomes de Bom Jesus e que cada uma das propriedades foi negociada por R$ 100 mil. Elas foram passadas para a DNA no cartório de São Desidério no livro 2 do registro geral sob o número R-1-2735 em 24 de janeiro de 2002.

Os representantes legais da DNA citados na escritura de venda são Marcos Valério Fernandes e Daniel da Silva Freitas. Na época apurou-se que o intermediário Paixão recebeu na transação cerca de R$ 5 mil, valor cotado na região para se comprar uma posse de propriedade inexistente.

Geralmente, o objetivo de quem registra imóveis rurais fraudulentamente é conseguir documentos legais para "provar" ser dono de grande patrimônio e poder apresentá-lo como garantia na obtenção de empréstimos bancários ou de dívidas públicas. Valério, por exemplo, apresentou as fazendas Barra I, II e III, que pertenciam em 2005 na realidade à empresa Carvic Agropecuária, como garantia de uma dívida de execução judicial.

BELO HORIZONTE/MINAS GERAIS

O publicitário Marcos Valério Fernandes, apontado pelo Ministério Público (MP) como o principal operador do mensalão do PT, foi preso na manhã desta sexta-feira (2), em Minas Gerais. Após determinação da Justiça, o empresário e outros três sócios da companhia 2S Participações foram detidos pela polícia. O motivo da prisão ainda não foi divulgado, mas segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, Marcos Valério ainda articula esquemas no governo federal através da empresa T&M Consultoria Ltda. Contratada pela T&M, a companhia de softwares ID2 Tecnologia teria conseguido um contrato de R$ 14,9 milhões no Ministério do Turismo.
Única chance de Lupi é explicar emprego duplo, diz Dilma
A presidente Dilma Rousseff disse ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), durante reunião nesta quinta-feira (1º), que a única chance de ele permanecer no cargo até a reforma ministerial é fornecer explicações “convincentes” sobre o fato de ter ocupado, simultaneamente, dois cargos públicos por quase cinco anos. Lupi é acusado de acúmulo ilegal de cargos na Câmara dos Deputados, em Brasília, e na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O ministro se reuniu com Dilma no Palácio do Planalto para falar sobre a recomendação da Comissão de Ética de exonerá-lo, decisão que irritou a presidente. O pedetista saiu da conversa ainda no cargo, mas com a determinação de se defender quanto ao duplo emprego e à recomendação da Comissão. Informações do jornal Folha de São Paulo.


Uma operação da Polícia Federal (PF) desarticulou uma quadrilha especializada em tráfico interestadual de drogas, roubo, receptação e adulteração de veículos na Bahia e nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul nesta sexta-feira (2). No total, a ação cumpre 16 mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão. Entre os detidos estão assaltantes, traficantes, receptadores e falsificadores de documentos públicos. A maioria dos presos já possui antecedentes criminais e os líderes do bando comandavam os crimes do presídio de Salvador, onde estavam custodiados. As investigações tiveram início há três meses e já resultaram na apreensão de mais de 200 kg de drogas, além de dezenas de carros roubados. Os envolvidos serão indiciados por roubo qualificado, receptação, formação de quadrilha e adulteração de veículo, além do crime de trafico interestadual de drogas e associação para o tráfico. Informações do jornal Correio.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

DOSE DE PARACETAMOL ACIMA DO RECOMENDADO PODE MATAR

Pesquisadores analisaram 161 casos de overdose escalonada

Ingerir uma dose um pouco acima da recomendada do analgésico paracetamol pode ser fatal. A conclusão é de uma pesquisa da Universidade de Edimburgo, publicada no jornal British Journal of Clinical Pharmacology.

Pesquisadores britânicos analisaram 161 casos do que denominaram de "overdose escalonada" durante seis anos. Segundo eles, muitas pessoas que usam a droga para combater uma dor não percebem quando tomam um pouco mais do que precisariam. E acabam repetindo tal procedimento por diversas vezes.

“Não é uma overdose maciça, do tipo ingerida por pessoas que tentam se matar, mas com o tempo os danos se acumulam e podem ser fatais”, diz Kenneth Simpson, um dos responsáveis pelo estudo.

Para realização da pesquisa, foram estudados 663 pacientes que haviam sido admitidos no centro médico Royal Infirmary, em Edimburgo, com dano no fígado provocado por paracetamol. Ao todo, 161 deles haviam tomado overdoses sucessivas, normalmente para aliviar dores como dores abdominal, muscular, de cabeça e de dente.

De acordo com o estudo, tal problema dificilmente é detectado por meio de exames sanguíneos, já que pessoas com overdoses sucessivas podem ter níveis baixos de paracetamol no sangue.

Os efeitos para a saúde de overdoses de paracetamol são mais graves do que uma única overdose com grande quantidades de comprimidos, dizem os pesquisadores.

Normalmente, cada comprimido contém cerca de 500 mg de paracetamol e recomendações gerais indicam que adultos podem ingerir até, no máximo, dois comprimidos a cada quatro ou seis horas.

* Com agências de notícias
Dilma se reúne com Lupi e decide mantê-lo no ministério do Trabalho

Presidente vai pedir que comissão de ética embase sugestão de exoneração

A presidente Dilma Rousseff decidiu manter o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no cargo nesta quinta-feira (1), apesar da recomendação da Comissão de Ética da Presidência da República para que Dilma o exonerasse diante de denúncias de irregularidades na pasta e contra ele.

Lupi reuniu-se com Dilma nesta manhã no Palácio do Planalto. De acordo com a Presidência da República, Dilma pedirá à comissão um ofício com os elementos que embasaram a sugestão de exoneração.

Lupi também pedirá uma reconsideração da decisão da comissão.

O Ministério do Trabalho foi alvo de denúncias de suposto esquema de cobrança de propina de organizações não-governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta, num esquema que serviria para abastecer o caixa do PDT, partido de Lupi.

O ministro também foi acusado de ter pego "carona" em avião providenciado por um empresário e dirigente de uma ONG, que meses depois assinou convênios com o ministério.

Desde junho, seis ministros de Dilma já deixaram o governo, cinco deles em meio a denúncias de irregularidades - Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

Foto: Agência Brasil

DE SÃO PAULO

Ministro acumulou ilegalmente cargos em Brasília e no Rio

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), ocupou simultaneamente, por quase cinco anos, dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos distintos, a Câmara dos Deputados, em Brasília, e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, informa reportagem de Fernando Mello e Andreza Matais, publicada na Folha desta quinta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Reporagem da Folha do último sábado (26) mostrou que de 2000 a 2005 Lupi era assessor-fantasma da liderança do PDT na Câmara dos Deputados em Brasília.

Comissão de Ética da Presidência recomenda demissão de Lupi
Lupi foi assessor-fantasma da Câmara por quase seis anos
PT pressiona Dilma a afastar afilhados de Lupi no Trabalho
Decisão de manter Lupi cabe somente a Dilma, diz Carvalho

Geraldo Magela - 17.nov.2011/Agência Senado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante depoimento no Senado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, fala no Senado


Ao mesmo tempo, o ministro do Trabalho também ocupava o cargo de assessor de um vereador do seu partido na Câmara de vereadores do Rio, a quase 1.200 km da capital.

A Constituição proíbe a "acumulação remunerada de cargos públicos" e pode levar a ações judiciais por improbidade administrativa e peculato, com cobrança da devolução dos recursos recebidos de maneira irregular.

Ontem, a Comissão de Ética Pública da Presidência recomendou à presidente Dilma Rousseff a exoneração de Lupi do cargo de ministro do Trabalho.

Lupi foi envolvido nos últimos dias em uma série de irregularidades em convênios de sua pasta com entidades ligadas a seu partido.

OUTRO LADO

Lupi afirmou que "caso seja comprovada alguma irregularidade, será devolvido ao órgão valores recebidos que não estejam dentro da legislação".

Segundo a assessoria de imprensa, "está sendo encaminhada à Câmara Municipal [do Rio] uma consulta formal onde será analisada essa situação funcional".


Editoria de Arte/Folhapress


Leia mais na edição da Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.