sábado, 26 de novembro de 2011

AFRO XXI

Paiva Netto

Estamos no Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, declarado pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 2010. O que tornou mais especial neste ano o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares (1655-1695). A data foi instituída pela Lei no 10.639/2003, que também tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana nas escolas.

Conforme declarou a dra. Navi Pillay, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, “este Ano Internacional oferece uma oportunidade única para redobrar nossos esforços na luta contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e outras formas de intolerância que afetam as pessoas de ascendência africana em toda parte”.

Daí a grande importância do Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes (Afro XXI), realizado em Salvador/BA, de 16 a 19 de novembro, que reuniu, em seu encerramento, chefes de Estado e representantes de países da América Latina, Caribe e África.

Na “Declaração de Salvador”, um dos documentos elaborados pelo Afro XXI, ficou registrado: “Convocada pelo Governo da República Federativa do Brasil, Governo do Estado da Bahia e pela Secretaria-Geral Ibero-americana, com o apoio da Organização das Nações Unidas, os objetivos centrais da cúpula foram dar visibilidade às contribuições sociais, culturais, políticas e econômicas afrodescendentes para a América Latina e o Caribe para aumentar o conhecimento da situação vulnerável na qual a maioria desta população vive e recomendar estratégias nacionais, regionais e internacionais para promover a inclusão total dos afrodescendentes e superar o racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata”.

Na década de 1980, no “Daily Post” (circulação internacional) e em vários outros jornais e revistas do Brasil e exterior, escrevi um artigo ao qual dei o título “Racismo é obscenidade”. De lá para cá, graças a Deus, expressivas conquistas vêm sendo alcançadas no aumento da consciência de que fazemos parte de uma única raça, a Raça Universal dos Filhos de Deus. Portanto, que o acesso à Educação, ao Trabalho e à Saúde seja igual para todos, em qualquer parte do mundo.

SANGUE RIMA COM VIDA

Desde tempos imemoriais, o sangue apresenta várias simbologias. Entre elas, a da honra, da luta e principalmente da vida. Instituído pelo decreto presidencial no 53.988, de 30 de junho de 1964, 25 de novembro passou a ser o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue. Em 2003, foi lançada, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Semana Nacional do Doador Voluntário de Sangue, comemorada sempre no fim de novembro.

Apesar de todos os esforços de conscientização da importância de ser doador, o brasileiro, que é solidário, ainda não fez desse gesto um hábito.

No site www.amigodoador.com.br tomamos conhecimento de que apenas 1,5% da população doa sangue anualmente, índice bem abaixo da porcentagem norte-americana, com quase 5%. Outros dados interessantes revelam que, desse 1,5%, 75% são pessoas de baixa renda e 70% estão na faixa de 26 a 45 anos. Os homens respondem por 78% das doações.

Hoje, com a internet, pode-se tirar qualquer dúvida que possa inibir o cidadão a se tornar doador de sangue. Orientações quanto aos benefícios e restrições estão acessíveis a todos.

Em 26/11, a Juventude Ecumênica Militante da Boa Vontade, da LBV, realizou um mutirão nacional de doação de sangue em postos de saúde e hospitais. Não perca tempo. Seja também um doador de vida.

Dedico aos que, a partir de agora, se juntarão a esse time da solidariedade o que escrevi em “Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade” (1987): Assim como o sangue, circulando pelo corpo, oxigeniza e alimenta as células humanas, o Amor, percorrendo os mais recônditos pontos de nosso Espírito, fertiliza-o e o torna pleno de vida. (...) Ao final de tudo, ele — que se expressa das mais surpreendentes formas na grande tarefa de conduzir os homens à sobrevivência — vencerá! Continuamos acreditando na vitória final do ser humano e de seu Espírito Eterno, a obra máxima do Criador.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

SÃO PAULO/SP

Determinada nova licitação para inspeção veicular em SP

A 11ª Vara da Fazenda Pública da capital determinou, que a Prefeitura de São Paulo abra nova licitação no prazo de 90 dias para a escolha de empresa que será responsável pela inspeção veicular.


A ação, proposta pelo Ministério Público contra o prefeito Gilberto Kassab, o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, e diretores da empresa Controlar, entre outros, tinha a finalidade de suspender o contrato firmado entre a prefeitura e a Controlar, além de pedir o afastamento do prefeito. De acordo com o órgão, o serviço foi implantado com diversas ilegalidades.

Leia também:
Prefeitura-SP nega irregularidades em inspeção veicular

Segundo a decisão, "não cabe suspender a prestação do serviço, por significar relevante instrumento de controle de poluição ambiente, com evidentes benefícios à saúde de todos os que circulam por este município. Todavia, o cumprimento integral do contrato constitui uma temeridade, e por isso a municipalidade deverá promover a abertura de nova licitação para tal objeto no prazo de 90 dias".

A sentença determinou ainda a manutenção do prefeito no cargo e a indisponibilidade dos bens de todos os acusados.

Como você se sente ao ler este artigo?

DANTENA DEVE R$30 MILHÕES PARA A RECORD

Datena tentou, tentou e não conseguiu. O apresentador da Bandeirantes tem audiência marcada para a próxima quarta-feira, 30, em São Paulo. No primeiro semestre Datena fez uma jogada, ao voltar para emissora de Edir Macedo, cumprindo um acordo judicial e, desta forma, não teria mais nenhuma dívida com a emissora e o processo estaria extinto.

Acontece que poucos dias após a sua estreia, ele pediu demissão e voltou para seu antigo emprego (Band). Com isso, o processo, que havia sido solucionado, teve que ser reaberto e a Record agora pede a penhora dos bens do apresentador. Datena afirma que sofreu censura na Barra Funda e, por outro lado, a diretoria da Record não sabe de onde ele tirou isso.

Fonte: @GuiBarrosPF

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

EM PORTO SEGURO/BAHIA


Hotel a venda em Porto Seguro

Localização privilegiada próximo às praia mais freqüentadas da cidade

Em pleno funcionamento.

18 suítes

Três estrelas.

Construído em uma área de três mil metros quadrados com projeto de ampliação

Os interessados poderão obter melhores informações com Luciano Borges dos Anjos

Celular:( 011 ) 7885-7261 ID.Nextel: 55*82*102754

Conheça melhor as premises do Hotel clicando no link a seguir: O site do hotel é : www.portodasancoras.com.br


Jair Bolsonaro questiona sexualidade da presidenta Dilma Rousseff

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) voltou a causar polêmica. Ao criticar as políticas pró-homossexuais do governo, ele questionou a sexualidade da presidenta da República, Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (24). “Dilma Rousseff, pare de mentir! Se gosta de homossexual, assuma! Se o seu negócio é amor com homossexual, assuma, mas não deixe que essa covardia entre nas escolas do primeiro grau!”, esbravejou na tribuna, ao falar do kit anti-homofobia (campanha desenvolvida pelo MEC para combater o preconceito contra homossexuais nas escolas).

Em seguida, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) reprovou a postura do colega. “O que nós ouvimos aqui hoje foi um discurso que, se entendi direito, faltou com o decoro parlamentar ao fazer insinuações a respeito da própria presidente da República, quando acho que a opção sexual de qualquer ser humano, deputado, é uma questão de foro íntimo”.

Em entrevista ao "Terra Magazine", Bolsonaro negou ter questionado a sexualidade de Dilma e culpou a “língua portuguesa” pela interpretação da frase. “No meu discurso de hoje, perguntei se ela estava mentindo e pedi que ela explicasse sua relação com os homossexuais. A nossa língua portuguesa permite um montão de interpretação. Eu não chamei a Dilma de homossexual. Eu posso até pensar o quiser contra ela, mas não vou desqualificar o nível da importância do que está sendo tratado aqui”, disse.

Jair Bolsonaro é contra a distribuição do kit anti-homofobia nas escolas. (Foto: Agência Brasil)

MARCELINHO CARIOCA

Em depoimento ao blog do Bispo Macedo, Marcelinho Carioca afirma que doou R$ 86 mil para a “Fogueira Santa” da Universal e ganhou R$ 2 milhões

Em um depoimento ao blog do Bispo Edir Macedo, o ex-jogador Marcelinho Carioca afirmou que a “Fogueira Santa” promovida pela Igreja Universal do Reino de Deus mudou sua vida. No vídeo, Marcelinho afirma que antes, era um severo crítico da IURD. “Quando falavam pra mim sobre dar dízimo, ofertar, eu falava: são todos malandros, oportunistas, porque querem tirar o dinheiro do povo. Não vai ser a igreja que vai tirar o meu dinheiro”, conta o ex-jogador.

Citando sua origem, ele diz que na juventude, queria o que todos jovens desejam: “Minha vida foi extremamente difícil, com uma origem pobre, humilde. E sempre falavam de Jesus pra mim, e eu nunca entendia nada, não queria saber porque isso não interessava. Interessava em primeiro lugar era ter fama, sucesso e dinheiro. As três coisas que eu mais queria na minha vida, e que a maioria dos jovens querem através do esporte”.

Em defesa da Universal, Marcelinho ressalta que, antes de participar da “Fogueira Santa”, criticava as práticas da igreja. “Antes eu jogava pedra, apontava o dedo e criticava. Hoje eu abraço, e vejo o quanto mudou a minha vida porque na primeira vez que eu fiz a Fogueira Santa, doei mais de 80 mil. Eu lembro quando o Pastor falou: ‘quem crer hoje, Jesus Cristo vai dar 100 vezes mais’. Quando eu fiz o cheque, meu pai me deu uma cotovelada e saiu da igreja, disse que eu era fanático”, afirma Marcelinho Carioca.

Ele conta que o que o motivou foi um processo trabalhista que estava perdendo contra o seu ex-clube. “Eu tinha um processo trabalhista contra o Sport Club Corinthians Paulista, aonde eu já tinha perdido na segunda instância, e automaticamente eu perderia na terceira. Estava devendo 7 milhões e 856 mil reais. Eu cria que venceria essa batalha, e falava isso pros amigos e familiares, que diziam que eu era louco, maluco, pirado. Eu respondia que eu sabia em quem estava crendo”, relata o ex-jogador.

Na sequência de seu relato, Marcelinho descreve o que aconteceu, segundo ele, após participar da campanha da Universal: “Eu fiz aquela Fogueira Santa, e o Corinthians me chamou para fazer um acordo. Eu não paguei nenhum real, ganhei um contrato de dois anos, e sete meses depois, quando saí, ganhei uma indenização de 2 milhões de reais. Investi 86 mil reais e ganhei 2 milhões, sem ter gasto nenhum centavo”.

A “Arca Universal” divulgou recentemente, uma matéria sobre jogadores de futebol de sucesso, destacando a importância da fé para esses atletas, e mostrando um relato de um ex-jogador de futebol que afirma não ter alcançado o sucesso que esperava por falta de fé.

Na matéria, a trajetória do jogador Rômulo Caldeira, lateral direito da Fiorentina, um tradicional clube italiano, é descrita como uma história de superação, talento e fé. “Eu aprendi a sacrificar para Deus, a fazer a vontade dEle no altar. Tudo aconteceu para que meu sonho não se concretizasse. Sofri perseguições, tentaram apagar (matar) o meu brilho, mas quando conheci a Deus, passei a buscá-Lo na Igreja Universal do Reino de Deus e as portas se abriram”, afirma Rômulo.

Assista ao depoimento de Marcelinho Carioca:

CACHOEIRA/BAHIA

MEMÓRIA ESPORTIVA

As confusões e a conquista do bi-campeonato

Por Erivaldo Brito

Mesmo os que não leram a crônica anterior postada neste blog, ao tomarem conhecimento da sua publicação divagaram sobre o assunto, o que ratifica a crença de que, todos têm um lugarzinho reservado às memórias afetivas, mas, é o coração quem faz suas escolhas, naturalmente orientado pelos mistérios insondáveis da subjetividade humana. Um amigo fraterno chegou a dizer-me ao telefone que, “a seleção (cachoeirana), podia até não vencer, mas convencia!” Vá entender a memória que cada um de nós tem de um mesmo fato presenciado daqueles tempos em que, para a maioria dos cachoeiranos e de outras plagas envolvidas na competição pebolística intermunicipal, o futebol ficava muito acima de um simples jogo, para representar a própria “honra” da cidade.

Nos fins da década de 50 e na década de 60, o “esporte bretão” - como diziam os antigos - praticado na Cachoeira, era representado pela equipe do Cruzeiro, então filiado à Liga Sanfelixta. Vários foram os atletas que atuaram na referida equipe e que, segundo a nossa avaliação, poderiam jogar em qualquer equipe profissional até nos dias presentes: Hugo Mascarenhas, Didi Zoião, Luis Aranha, Geraldino, Vaduca, Badú, Binoca, Moacir Tinoco, Nandú, Bise, Baú de Pequel, Renatinho, Dr. Braga, os irmãos Edinho e Edésio.

O Cruzeiro ganhou muitos títulos e muitas foram as confusões entre torcedores sanfelixtas e cachoeiranos. No ano de 1965, os esportistas Carlos Menezes (Carlito do Bicho), Evangivaldo, Briô, Morenito e Roque Pinto, dentre outros, acordaram em desfiliar a equipe cachoeirana da Liga Sanfelixta, organizando no valho campinho da Avenida Ubaldino de Assis uma competição chamada de “Torneio do Povo”, que foi ganho pelo Cruzeiro ao derrotar o Flamenguinho por 2 a 1, com gols de Quequita e Badú (a “arma secreta” do técnico Morenito), enquanto Baú de Pequel descontava para os rubro-negros cachoeiranos.

O Cruzeiro sagrou-se campeão com: Vando, João Marreteiro, Porrão, Bussuçu e Tito, Didi Zoião e Zé Melo, Carlyles, Quequita, Badú, Orelha de Coelho e Onildo, enquanto o Flamenguinho jogou com Ceguinho, Vitor, Baú de Pequel, Hugo Mascarenhas e Dito. Siri e Mario Codorna. Caçulinha, Valdir, Diquinha e Pequenininho.

Depois de um bem organizado campeonato, as pretensões dos esportistas cachoeiranos passaram a ser a participação no Torneio Intermunicipal. A Federação Baiana bateu o pé e considerou as dimensões do campinho da Avenida Ubaldino de Assis completamente fora dos padrões normais. Então, graças ao advogado cachoeirano Carlos Antonio Onofre da Silva, - Cacá -, e a um chamado “por fora” desembolsado por Carlito, A Federação aceitou como mando de campo cachoeirano aquela área em frente à Igreja do distrito de Belém.

Por sorteio, o primeiro jogo entre cachoeiranos e santamarenses foi exatamente a terra da dona Canô, Caetano e Betânia. Era um domingo, dia 25 de outubro de 1964, registrando-se um empate não obstante a enorme pressão exercida pela torcida local. Os cachoeiranos, em nítida minoria, foram hostilizados o tempo todo. O jovem Marquinho Gottschal não foi linchado porque Edi de Gegeu, ex-remador e de físico avantajado partiu pra cima e a turba se acovardou. Felizmente.

O jogo de volta programado para Belém da Cachoeira, no domingo seguinte, 01 de novembro, os torcedores santamarenses vieram em massa, não ficaram com medo de “receberem o troco” pelo que fizeram, mesmo porque trouxeram chefiando a sua comitiva, o então deputado Egídio Tavares. Os torcedores de Santo Amaro optaram por ficar no lado da estrada que liga Belém à Cachoeira enquanto os cachoeiranos se posicionaram em frente às casas de veraneio, onde ficou também a cabine provisória da Rádio Subaé.

O placar registrava um empate em 3 a 3. A torcida de Santo Amaro, insuflada pelo deputado, começou a zoar da mesma maneira como fizera em casa. A “força” policial comandada pelo delegado Benedito do Açougue com mais dois ou três soldados partiram com o intuito de conter os ânimos dos mais exaltados e foram desacatados e quase apanharam se não tivessem corrido juntamente para o lado da já revoltada torcida cachoeirana. Moirão. O pau comeu na Casa de Noca! Não sei mesmo como descrever aquela pancadaria envolvendo dezenas de pessoas. Guardei na minha memória uma ocorrência: o locutor da emissora santamarense narrava ao microfone “as cenas de barbarismo, a covardia da torcida cachoeirana ao agredir a indefesa torcida de Santo Amaro” quando levou uma bofetada desferida por Walter Gavazza que, visivelmente transtornado fazia em pedaços o cabo do microfone da emissora e bradava: “Respeite a Cachoeira, seu vagabundo!”

O primeiro título intermunicipal conquistado, conforme dito na crônica anterior viria quatro anos depois, no ano de 1968, portanto. Os finalistas, Jequié e Cachoeira empataram sem abertura de placar no primeiro jogo realizado na Cachoeira. Naquele jogo, Tião, o endiabrado ponteiro da seleção cachoeirana, o Garrincha das pernas certas, encontrou em Potó, um marcador implacável. O referido jogador voltou no segundo tempo com uma bandalha na cabeça. Levou uma “misteriosa” pedrada vinda da torcida feminina da seleção cachoeirana, mas, não se intimidou.

A partida em Jequié, apesar da recepção na chegada por parte do Tiro de Guerra comandado pelo sargento Idelfonso, que havia sido, também, instrutor do TG cachoeirano, na hora agá, passou a pressionar o árbitro, o empate em zero a zero permanecia, a torcida foi invadindo o campo, a área do jogo invadida, então, poucos minutos antes do término da partida, Badaró fez um gol lindíssimo e foi anulado pelo árbitro Anivaldo Magalhães. Uma sábia decisão para aquele momento. Validar aquele gol, naquele instante, as conseqüências seriam inimagináveis.

No jogo decisivo no Campo da Graça, em Salvador, Passarinho fez o gol do título.

O bi-campeonato cachoeirano se deu também no Campo da Graça, no dia 05 de janeiro de 1969, exatamente como acontecera com Jequié, mas daquela vez com o selecionado de Miguel Calmon.

A referida partida decisiva estava na prorrogação e nada de gol. O empate favorecida Miguel Calmon e a sua torcida já festejava a conquista do título. Até mesmo a Charanga já não tocava o famoso samba “Colher de Chá” enquanto alguns torcedores começavam a abandonar o estádio, quando ao dez minutos do segundo tempo da prorrogação, o lateral Paiva marcava o gol que deu a vitória e o título de bi-campeões aos atletas cachoeiranos. Vejam as voltas que o mundo dá: Paiva era santamarense nascido em Saubara.

Atuaram naquele jogo: Vadinho, Deca, Zé Fernandes, Balaio e Paiva. Zé Melo e Mario Codorna. Tião, Naguerete, Passarinho (depois Penedo), Antonivaldo e Coqueiro.

Houve muita festa na chegada da delegação cachoeirana. Apesar do adiantado da hora, os torcedores não arredaram o pé. No dia seguinte, programou-se uma “carreata monstro”. Embalados pela Charanga da Minerva, que estava alojada na caçamba da prefeitura, seguramente uma centena de veículos e bicicletas acabaram por optar em estenderem-se até a cidade de Muritiba, com o objetivo de homenagear-se o goleiro Vadinho. Em lá chegando, a recepção foi calorosa com fogos de artifício e a Emissora Radiovox transmitindo o evento ao vivo fazendo entrevistas. Claro que o locutor que vos fala deu uma “palinha”.

Quando a carreta desceu de volta, torcedores sanfelixtas entrincheirados, segundo soube depois, provocados por alguns torcedores penetras na caçamba onde estava a Charanga, que xingaram e fizeram piadinhas com os torcedores que estavam olhando a carreata passar. A pancadaria comeu solta! Vi, por exemplo, quando o então vereador Ari Mascarenhas saltar da sua camioneta para tentar apaziguar os ânimos, levar uma bofetada na cara desferida por Valdê, bancário do extinto Banco Econômico.

Com o trânsito engarrafado, optei por abandonar a rural em que eu estava e sair em desembalada carreira sob uma rajada de pedradas de batiam nas ferragens da ponte saindo fogo como se fossem tiros de uma metralhadora. Posicionei-me nas proximidades do antigo Posto de Lavagens de Veículos de Caboclo Sala, e vi quando arrancaram um vão da tubulação que levava água potável para São Felix. Um ato de puro vandalismo, com certeza, mas, meus amigos, o “vulcão” de água que passava da altura da ponte iluminado pelas lâmpadas fluorescentes, foi um espetáculo de rara beleza.

Comentou-se na cidade, depois, que o ferroviário Totó, havia sido chamado a depor no Comando do Exército em Salvador. Posso afirmar que ele não teve qualquer participação no ato.

No dia seguinte, tive de ir até São Felix a fim de fazer a compensação de cheques. Pude perceber pelos olhares que não estava sendo bem visto, mas, estava absolutamente tranqüilo, pois estava com o revólver do banco e tinha porte de arma. Dentro da agência do Banco do Brasil apareceu o Promotor Doutor Medrado com dois policiais para dar-me proteção. Logo depois apareceu Ensopado, antigo zagueiro, irmão do goleiro Moqueca, dizendo que tudo havia sido contornado e ninguém ia fazer “sidibesta” de tocar a mão em mim. Ainda bem, porque, confesso, na ocasião, embora de temperamento avesso à violências, se fosse ameaçado, picava fogo!

Na volta a gente conta as outras conquista e mais confusões. Fui!