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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA

Festa Literária Internacional de Cachoeira começa amanhã




A festa será de 11 a 16 de outubro e reunirá diversos autores e especialistas em mesas de discussão de temáticas diversas. No palco que fica na orla da cidade, diversos shows animarão as noites do evento. Confira a programação de abertura da FLICA:


Terça 11/10


Literatura Brasileira: Sucesso de Crítica e Público?

Fernando Morais, Miguel Sanches Neto e Raquel Cozer

Mediador: Jefferson Beltrão
Horário: 19h
Local: Conjunto do Carmo, Praça da Aclamação

Programação Musical:


Orkestra Rumpilezz

Show de Abertura da FLICA 2011
Local: Palco Cachoeira (no porto)
Horário: 22h
Entrada gratuita

Para mais informações, veja a programação completa aqui.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA

A segurança em Cachoeira não é o que parece

Avaliação da segurança pública na cidade aconteceu no último dia 04, na Câmara de Vereadores


Na noite de terça-feira, cidadãos cachoeiranos juntamente com autoridades da Polícia Militar, o presidente da Câmara de Vereadores Júlio César Costa Sampaio e o Secretário de Cultura Lourival Trindade discutiram o atual momento da segurança pública na cidade da Cachoeira. O evento foi organizado pelo presidente da ONG A Cidadã, Pedro Erivaldo Francisco da Silva.

O major PM Lanzillotti, comandante da 27ª Companhia de Polícia Militar do Estado da Bahia, falou da necessidade de se melhorar o efetivo da Polícia Militar e da Polícia Civil, além de colocar câmeras de monitoramento na cidade. Comentou também que é necessário criar uma Guarda Municipal.. Em seu discurso, ficou clara a ideia de que os problemas são enraizados nas famílias, que atualmente estão desestruturadas, em sua maior parte. “A família se degradou, se enfraqueceu. A educação do lar é a mola propulsora da cidadania.”, explica.


Segundo o major, o maior problema da Cachoeira, nos últimos cinco anos, está sempre relacionado às drogas, mas especificamente o crack. “O jovem está com um vazio no peito muito grande decorrente da ausência da família, e talvez por isso procure as drogas”, comenta.

Em depoimento emocionado, o radialista Jorge Andrade, da Emissora Paraguaçu, falou da sua situação enquanto ex-usuário de drogas e da realidade da Cachoeira: “Temos que deixar de ser hipócritas e encarar o problema das drogas”.


A polêmica causada pela série de reportagens do Jornal Correio da Bahia sobre o traficante Junior e o Primeiro Comando do Interior (PCI) também foi comentada. “Cachoeira é uma cidade como qualquer outra na Bahia, aqui não tem crime organizado”, disse o major.

Lourival Trindade, secretário municipal da Cultura, comentou que a situação da cidade não é a que a imprensa mostra. “Há muito sensacionalismo nas reportagens do Correio da Bahia. Isso está sendo utilizado de maneira pejorativa”, disse.

Mais fotos:




terça-feira, 4 de outubro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA

2ª Parada da Diversidade da Cachoeira agitou a orla


Centenas de cachoeiranos celebraram a diversidade atrás do trio elétrico multicolorido no fim da tarde do dia 02 de outubro, na 2ª Parada da Diversidade. A parada percorreu parte da orla do Rio Paraguaçu durante o entardecer, fazendo seus seguidores dançarem ao som de muita música eletrônica.

Priscila, de Feira de Santana

As pessoas compareceram massivamente, e em família: várias gerações juntas dançando e aproveitando o entardecer na Praça do Coreto. Durante o evento, muitas bandeiras do movimento LGBTT foram comentadas: a luta contra a homofobia e pelos direitos humanos foram os que mais se destacaram.



Tássio Winter (18) diz que Cachoeira é um lugar muito tranquilo em relação à homofobia. Tássio sempre esperou o contrário, já que faz parte dum grupo de pessoas homossexuais e esses grupos costumam sofrer pressão por parte da sociedade. “No meu círculo social, nunca sofri nenhuma agressão homofóbica até hoje. A situação, pra mim, é confortável”, conta.


Já João Vitor Rocha (19) vive uma situação diferente em Salvador. Segundo conta, na área da saúde é preciso tomar cuidado com o que se diz para não ser discriminado. O convívio com os pacientes deve ser o meio de superar o preconceito: “Eu faço fisioterapia, então tento ficar o mais calado possível, pois atendo muitos homens. Depois, com o tempo, que a gente vai conversando e criando mais intimidade com o paciente, e se ele perguntar, eu falo”, explica.


O estado da Bahia lidera o ranking nacional de violência contra homossexuais pelo segundo ano consecutivo, com 29 homicídios em 2010, de acordo com o relatório publicado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em abril deste ano. Entre as vítimas, 54% são gays, 42% são travestis e 4% de lésbicas.


Mais fotos do evento:








quarta-feira, 28 de setembro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA

Cachoeira ganha sua primeira locadora de veículos


A MP Locadora de veículos chegou a Cachoeira para preencher uma lacuna no comércio regional, que não dispunha deste tipo de serviço

A locadora fica situada na rua do Porto de Cachoeira e possui matriz em Santo Amaro, onde se destaca como uma instituição de grande credibilidade, apesar de seu pouco tempo de existência - a empresa existe há apenas três anos. A busca pela qualidade total e excelente atendimento são os alicerces para este sucesso em tão pouco tempo.

Com uma variada frota de carros do ano, revisados, básicos, completos, utilitários e com seguro, a MP Locadora convida a população de Cachoeira, São Félix, Muritiba e região a realizar passeios, viagens e excursões com toda comodidade, conforto, agilidade e sem burocracia. Em pouco tempo de inauguração a empresa já vem recebendo manifestações de boas vindas da opinião popular, as quais relatam sentirem-se presenteadas com esta disponibilidade de serviço pioneiro e exclusivo na cidade e região vizinha.


A MP Locadora vem oferecer a este público uma relação comercial que vai além da compra, venda e pós-venda. Sua política empresarial consiste em estabelecer uma relação eficaz e duradoura de parceria entre clientes e fornecedores. Nesta visão, os valores concentram-se em promover a sinergia, a soma, a interação, a convergência. Esta ideia é evidenciada pelo volume de indicações de clientes que a MP Locadora recebe - traço de uma empresa que busca a maximização das relações, pelos laços de responsabilidade e credibilidade.




A adequação das necessidades do cliente e o esforço contínuo para que ele receba o melhor produto de seu interesse, com um serviço personalizado, ágil, sem burocracia e eficaz. Com esta política, não restam dúvidas de que a MP Locadora é uma empresa com potencial na região do Recôncavo.


Contatos:


www.mplocadoradeveiculos.com | mplocadora.cachoeira@gmail.com


Cachoeira: Rua do Porto de Cachoeira, s/n - Centro - Cachoeira - Bahia. Tels.: (75) 3425-3113 / 8270-7541 / 9212-8715

 Santo Amaro: Rodovia BA 420, Km 14, Nº 16, Santo Amaro - Bahia. | Tels.: (75) 3241-5902 / 8131-1055 / 9103- 2387


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA

Em Cachoeira, cidade histórica e monumento nacional

Polícia quer fechar tradicional rua de prostituição do Recôncavo baiano


A caça à Rua do Brega


Jorge Gauthier | Redação CORREIO - jorge.souza@redebahia.com.br

Verinha é a prostituta mais antiga da Rua do Brega

As paredes, mesmo sujas e com infiltração, guardam suas histórias. A cerveja, mesmo servida em copos engordurados, está sempre gelada. As mulheres, mesmo com os corpos castigados pela ação do tempo, exibem curvas que atiçam a imaginação masculina. Nas vitrolas, serestas e arrochas embalam os corpos nas camas, mesmo que velhas e sebosas. Mas a libertinagem da Rua do Brega, em Cachoeira, no Recôncavo baiano, mesmo tendo surgido há mais de 150 anos, está perto do fim.

As paredes, mesmo sujas e com infiltração, guardam suas histórias. A cerveja, mesmo servida em copos engordurados, está sempre gelada. As mulheres, mesmo com os corpos castigados pela ação do tempo, exibem curvas que atiçam a imaginação masculina. Nas vitrolas, serestas e arrochas embalam os corpos nas camas, mesmo que velhas e sebosas. Mas a libertinagem da Rua do Brega, em Cachoeira, no Recôncavo baiano, mesmo tendo surgido há mais de 150 anos, está perto do fim.

O delegado afirma que os prostíbulos servem como ponto de encontro para traficantes. Inclusive, um dos clientes assíduos é Edmilson Bispo dos Santos Júnior, o Júnior, 27 anos, fundador do Primeiro Comando do Interior (PCI), facção inspirada no grupo criminoso paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Vou entrar com representação na Justiça para fechar esses bregas, pois eles servem de abrigo para traficantes. No entorno dessas casas de brega circula todo tipo de delinquente”, justifica o delegado.

Prostitutas ouvidas pelo CORREIO, que preferiram não se identificar, confirmaram que Júnior frequenta as casas. “E paga bem, viu! Tem vezes que paga R$ 100”, contou uma das mulheres que já trabalha na rua há sete anos.
A violência, no entanto, elas confirmam que é uma constante. “Aqui tem muito vagabundo. Traficante? Tem às pencas, mas só vêm aqui para brincar de ser feliz na cama com a gente”, destaca uma. O delegado contesta. “Eles usam os bregas como esconderijo não é só pra sexo”, diz.

Temor
Vera Lúcia, 44 anos, conta que chegou na rua ainda menina e não vê futuro caso fechem seu negócio. “Sou puta e com muito orgulho. Tem 29 anos que vendo meu corpo nessa rua. Se fechar o brega, eu vou pra onde? Para a casa do delegado?”, brinca.

A irreverente Verinha, como é conhecida, chegou na rua quando a quantidade de bregas era bem maior do que as três atuais - o brega de Cabeluda, o Point das Morenas e a Casa Rosa.

“Há 20 anos tinha mais casa de brega nessa rua do que gente. Hoje, tem muito menos gente, mas essa rua sempre vai ser o lugar da putaria nessa cidade. Se fechar os bregas, o povo vai fazer sexo em todo lugar”, conta Verinha, que aos 14 anos abandonou a casa da família, em Maragogipe, para se prostituir nos bregas de Cachoeira.

Rua do Brega abriga prostituição de Cachoeira, no Recôncavo Baiano

Poder de Deus
E não são só as prostitutas que não querem o fechamento dos bregas. O pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, Jailton Santos, que há três meses fundou a igreja evangélica ao lado do brega de Cabeluda, um dos mais antigos da cidade, defende que os prostíbulos permaneçam funcionando.

“O ensinamento divino é que se pregue a palavra de Deus onde o pecado está e por esse motivo preferimos que os bregas continuem abertos para que essas mulheres tenham a chance de encontrar o conforto na palavra de Deus”, defende o pastor, que trabalha como operário da construção civil em Cachoeira.

Para o delegado, o fechamento dos bregas é necessário. “Júnior e seus comparsas usam essas casas de brega com regularidade. Manter esses bregas abertos é facilitar a ação do crime na nossa cidade. Quem quiser fazer sacanagem vai ter que ir para outra cidade”. O pastor acredita que, caso os bregas sejam fechados, o ‘poder do evangelho’ vai se enfraquecer. “Temos a intenção de estar onde as pessoas que precisam de ajuda estão. Por isso, resolvemos abrir a igreja na rua onde estão os bregas da cidade”.

Tempos Áureos
Natural do Ceará, uma das prostitutas que trabalha na Rua do Brega, já está no local desde a década de 90. “Vim aqui por causa da fama, mas nos últimos anos caiu muito. Mesmo assim ainda vale a pena trabalhar aqui. Tirando essa onda de violência, o lugar é muito tranquilo. Agente respira um ar que é único nesse mundo. O clima de sexo aqui tem outro sabor”, relata a prostituta, entre um cigarro e um gole na cerveja gelada.

Frequentador assíduo da casa, o comerciante J.S., 64 anos, teve sua primeira relação na Rua do Brega - e muitas outras depois. Para ele, fechar os bregas é acabar com a alegria. “Metade dos homens de Cachoeira conheceu o prazer nessa rua. Se os paralelepípedos e as paredes dessas casas falassem o nome de cada pessoa que já transou aqui ...Ah, o mundo ia ficar surdo”, brinca.
Religiosa, a dona de casa Elisabete Lima de Jesus, que é moradora na rua há mais de 50 anos, atualmente é vizinha da igreja e dos prostíbulos. Ela conta que muita coisa mudou na rua ao longo dos anos.

"Meu filho, isso aqui era um celeiro de mulher da vida. Todas vinham pra cá aprender como fazer as coisas. Hoje tem muito menos. Aqui na rua agora tem muita casa de família. Por mim, pode ficar tudo aí. Acho até que diverte por causa da música que eles tocam”, comenta.
Artimanhas
Uma relação sexual na Rua do Brega tem preço: R$ 40. O valor, segundo as profissionais do sexo, inclui todas (e mais variadas) posições sexuais. “R$ 10 a menina paga pelo aluguel do quarto.

O programa depende muito de duração. Se a menina souber mexer, faz o cara se aliviar em cindo minutos. Daí acaba e está pronta para outra. Cada menina, no final de semana chega a ter uns 4 a 5 clientes”, conta a gerente de uma das casas.

Durante a semana, o movimento é escasso. “Vem os meninos das escolas, marido que não tem alegria do bate coxa em casa. Entregadores de bebidas, que vêm abastecer a casa e também se abastecem com agente”, comenta uma prostituta natural do Piauí que trabalha na Rua da Brega há três meses.

Em poucos minutos de conversa, enquanto bebericam dos copos de clientes nos salões dos bregas à meia luz, as mulheres contam as mais variadas estratégias para satisfazer o cliente. Infelizmente, a maioria tem palavras impublicáveis. Mas, elas afirmam que o prazer é garantido.

Policial aposentado manteve brega na rua por 30 anos
Quando se aposentou da Polícia Militar, há 35 anos, o sargento Eduardo Conceição resolveu abrir um brega em Cachoeira, que virou um dos mais tradicionais redutos do sexo na cidade. “Chegou épocas de ter 12 meninas trabalhando aqui”. Hoje, Eduardo mantém apenas um bar na rua.
Decidiu fechar o brega e vender o imóvel para “descansar da agonia de muita mulher falando ao mesmo tempo”. Na casa de paredes verdes, cheia de equipamentos eletrônicos, Eduardo abrigou muitos sonhos de mulheres que abandonaram as famílias para viver do sexo. “Já vi muito sofrimento nessa rua. Mulher sendo espancada por marido que descobriu que ela fazia vida. No brega tudo é mais difícil”.
Simpático com a parca freguesia, Eduardo se orgulha dos tempos de Rua do Brega. “Lembro do dia que cheguei aqui pela primeira vez. Me encantei com as luzes, o som e o cheiro das putas perfumadas. Aquilo me encantou”, lembra.

Vocação centenária para prostituição na rua

Nem os carteiros de Cachoeira lembram com facilidade o real nome da Rua do Brega. Registrada como rua Sete de Setembro, o local é conhecido por todos pela referência das casas de prostituição. A vocação da rua, segundo os moradores mais antigos surgiu em função de Cachoeira ser uma cidade portuária.
“Tinha muito viajante no passado que passava por Cachoeira e tinha necessidade de encontrar uma mulher e acabou tudo se concentrando nessa rua”, conta a dona de casa Elisabete Lima de Jesus, que é moradora na rua há mais de 50 anos.
O fato de Cachoeira ser o último ponto navegável atrás da Baía de Todos os Santos colocou a cidade no século XIX como entreposto comercial do estado. Criou-se então, nas margens do Rio Paraguaçu várias casas ou cabarés de prostituição, mais conhecidos como bregas, para atender às necessidades sexuais dos viajantes.
Por ficar à beira do rio, a rua Sete de Setembro, hoje conhecida como Rua do Brega, acabou concentrando a maior parte dos prostíbulos. Hoje, a maioria das mulheres que trabalham na rua é do interior da Bahia, mas há prostitutas de quase todos os estados do Nordeste.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA

Policiais buscam traficante que se inspirou no PCC para criar facção em Cachoeira




Com apenas uma carabina e uma pistola, estão os representantes da Polícia Civil de Cachoeira que tentam capturar Edmilson Bispo dos Santos Júnior


Jorge Gauthier | Redação CORREIO/jorge.souza@redebahia.com.br

Todas as manhãs, ele toma banho na Prainha, às margens do Rio Paraguaçu, em Cachoeira, Recôncavo da Bahia. Almoça tucunaré nos bares à beira do rio, transa com prostitutas da Rua do Brega e ainda arrasta meninas para os trilhos do trem para tomar espumante após noites de orgia.


Apenas dois policiais civis trabalham por plantão em Cachoeira. O jeito é sair em dupla à caça do fundador do Primeiro Comando do Interior

Essa é a rotina do traficante Edmilson Bispo dos Santos Júnior, 27 anos, fundador da facção Primeiro Comando do Interior (PCI) que propaga que tem o corpo fechado em três terreiros de candomblé.

Na trincheira oposta, com apenas uma carabina e uma pistola, estão os representantes da Polícia Civil de Cachoeira que tentam capturar o homem que se inspirou na facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ontem, o CORREIO acompanhou a operação do delegado Laurindo Neto e do investigador Renilson Mota dos Reis na tentativa de capturar o traficante. Sim, a operação contou apenas com dois policiais - efetivo normalmente disponível na Polícia Civil de Cachoeira por cada plantão.


O CORREIO acompanhou a operação do delegado Laurindo Neto e do investigador Renilson Mota dos Reis na tentativa de capturar o traficante

“Estamos ungidos pelo poder de Deus para nos proteger. Mesmo em número pequeno, Deus está do nosso lado. Quer exército maior?”, diz o delegado, que é evangélico, antes de iniciar a caçada.

Mesmo com rotina regrada, a extensa rede de contatos de Júnior dificulta a sua captura, independentemente do efetivo policial. Com direito a ter que se esconder de tiros deflagrados num matagal, a reportagem percorreu com a polícia os cinco locais onde Júnior mantém apoio na cidade - Linha do Trem, bairro Morumbi, bairro Manoel Vitório, Viradouro e Rua do Brega.

“Ele monitora todos os passos da polícia através de informantes que circulam na cidade com celulares e avisam sobre os nossos deslocamentos”, revela o delegado, que assumiu a titularidade da Delegacia de Cachoeira há quatro meses.

Transportando pedras de crack em fundos falsos de gaiolas de passarinho, soldados do tráfico a serviço de Júnior atravessam a cidade pela linha férrea centenária que passa a apenas 100 metros da delegacia.

“Eles ficam em cima da linha do trem levando a droga para um lado e para outro. Pela linha do trem, os bandidos chegam até o bairro Viradouro - conhecida como a cracolândia de Cachoeira”, explica Laurindo Neto.

Apreensões

No Viradouro, a zona de conflito se configura com mais intensidade. Ontem, a polícia apreendeu no bairro uma faca, um cigarro de maconha, cachimbo para crack e um celular usado por informantes de Júnior.


No bairro, segundo a polícia, há aproximadamente 20 traficantes trabalhando com a anuência de Júnior. “Só vende droga em Cachoeira quem Júnior permite”, diz Neto.


Aviões

Para manter o funcionamento do seu esquema de informantes, Júnior conta com o apoio de adolescentes e alguns motociclistas, que agem camuflados de mototaxistas. “Eles fazem o transporte da droga para São Félix e cidades próximas com motos e usam até canoas para atravessar o Rio Paraguaçu”, diz o delegado.


Suspeito de ser informante de Júnior é abordado durante incursão

São os aviões do tráfico os responsáveis pelos assaltos nos centros comerciais de Cachoeira. Ontem, durante a incursão dos dois policiais, um menor teve seu celular apreendido pelo delegado, que suspeita que o jovem seja informante de Júnior. “Em situações suspeitas apreendemos os celulares e mandamos a pessoa pegar na delegacia de posse da nota fiscal. Quem está limpo vai, quem está sujo e envolvido com Júnior nem lá aparece”, contou Neto.


Esconderijos

As escadas íngrimes e estreitas do bairro Morumbi são desafiadoras para a polícia e úteis para Júnior e seu bando. “Eles sobem isso aqui e somem rápido”, conta o fiel escudeiro do delegado, o ex-comerciário e hoje policial Renilson Mota dos Reis.Do alto do bairro Manoel Vitório, Júnior tem ampla visão de Cachoeira e São Félix. “Nas casas que dão acesso ao bairro, cachorros são usados para proteger os esconderijos das drogas. Já matamos três que nos atacaram em caçadas aos bandidos”, disse Mota.


Em algumas das tais caçadas, a Polícia Civil conta com o apoio do único carro da PM da cidade. “Mas nem sempre é possível. Quando não podem, temos que ir na dupla”, diz Mota. Ontem, numa caçada em dupla, Júnior mais uma vez não foi achado.







O traficante, que tem duas prisões preventivas e uma temporária decretadas, além de uma condenação há cinco anos por assalto, vai perder o sossego


Fundador do Primeiro Comando do Interior vai virar carta do Baralho do Crime da SSP

Edmilson Bispo dos Santos Júnior dorme em diferentes casas de Cachoeira e foge da polícia como o diabo foge da cruz. Mas, o traficante, que tem duas prisões preventivas e uma temporária decretadas, além de uma condenação há cinco anos por assalto, vai perder o sossego.

Segundo informou ontem a Coordenação do Disque-Denúncia, o fundador do Primeiro Comando do Interior (PCI) vai figurar no famoso baralho do crime, mecanismo criado pela Secretaria da Segurança Pública para listar os bandidos mais procurados do estado. O pedido para inclusão do nome do traficante no baralho foi feito na semana passada pelo delegado de Cachoeira, Laurindo Neto. “Queremos que as pessoas nos passem informações sobre o paradeiro dele”. coordenação do Dique-Denúncia, responsável pelo baralho, informou que a inclusão de Júnior no baralho deve ser feita até sexta-feira. Ele deve ocupar um naipe alto no baralho, posto que já foi de traficantes como Fal, que foi preso em São Paulo.



Palestras antidrogas

Os conhecimentos do delegado Laurindo Neto adquiridos em dois anos e meio na Faculdade de Medicina e seis meses na Faculdade de Educação Física estimularam o policial a realizar outra atividade além da busca pelos bandidos: fazer palestras antidrogas nas escolas das cidades por onde passa. Ontem, foi a vez do Colégio Municipal General Alfredo Américo da Silva, no distrito de Acutinga, em Cachoeira. Com a saudação “Paz do senhor para os irmãos”, ele abre as palestras em que fala dos efeitos das substâncias entorpecentes.

Nas explanações, repete gírias do tráfico e dá conselhos. “O seu corpo foi projetado por Deus. Quando você usa alguma droga, ele quer expulsar ela do seu corpo”, disse para explicar reações provocadas pela cocaína. Ao som de canções dos Titãs e do grupo Tijuana, o delegado fala do seu livro Drogas - Armadilhas do Crime, que já está na segunda edição e teve mil exemplares impressos pela prefeitura de Cachoeira.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

CACHOEIRA/BAHIA


Bandido de ‘corpo fechado’ organiza facção no interior da Bahia e desafia polícia

Desde junho de 2010, Júnior passou a consolidar o grupo criminoso que comanda o tráfico de drogas no município, além de distribuir para cidades vizinhas


Edmilson Bispo dos Santos Júnior, o Júnior, 27 anos, sempre foi um exímio pintor de paredes. Mas ele queria mais. Enquanto ganhava experiência na construção civil como ajudante de pedreiro, tornou-se hábil em assaltar pontos comerciais de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia. Ainda era pouco.



Com o símbolo do Primeiro Comando do Interior em vários muros de
Cachoeira, Júnior mostra força no crime

Depois de três prisões por assalto, resolveu ampliar seus domínios e fundar a facção criminosa Primeiro Comando do Interior (PCI), inspirada na facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde junho de 2010, quando fugiu da delegacia de Cachoeira, roubando uma pistola .40 do policial plantonista, Júnior passou a consolidar o grupo criminoso que comanda o tráfico de drogas no município, além de distribuir para cidades vizinhas.

“Hoje, só vende droga (crack, cocaína e maconha) nessa região quem Júnior permite. Ele alimenta o tráfico em cidades da região de Cachoeira à custa de muita violência”, conta o delegado titular de Cachoeira, Laurindo Neto.

Na iniciação no mundo do crime, Júnior roubava usando motos. Depois, resolveu investir no tráfico. “Ele fez isso para poder ganhar dinheiro. Percebeu que com o tráfico consegue ser mais forte. Ele traz droga de Feira de Santana para Cachoeira e depois envia para Muritiba, Humildes, Conceição do Almeida, São Félix e Conceição da Feira”, destaca o delegado.

Fechado

Enquanto a polícia tenta capturá-lo, a população de Cachoeira propaga que Júnior, que é filho de Oxóssi, fechou o corpo em três terreiros de candomblé em Cachoeira, São Félix e Conceição da Feira. Dizem que até o delegado foi alvo de “trabalhos” do traficante. “Ele matou um boi e ofereceu aos orixás na intenção do delegado”, contou um morador da Rua da Feira, próxima da delegacia.

O delegado Laurindo Neto, entretanto, prefere não entrar no embate religioso. “Confio em Deus e ponto. Estamos fazendo um trabalho árduo para prender Júnior e seus comparsas. Já prendemos Neguinho, que seria o segundo do escalão da facção”, diz.

Em vários muros de Cachoeira, Júnior mandou pintar - com o verde do seu orixá - as iniciais PCI acompanhadas de um revólver 38, símbolo da organização criminosa. Boa parte dos escritos já foi apagada pela prefeitura.

Um dos que resistem está gravado numa parede a 100 metros da delegacia da cidade, perto da ponte que o traficante usa para esconder entorpecentes e armas. Até na delegacia, quando foi preso na última vez, ele desenhou nas paredes o símbolo da facção.

Tática

Assim como o PCC, Júnior costuma aplicar o golpe “Conexão Jamaica”, em que rouba drogas de rivais para impedir que outros vendam na área dominada por ele.

Fontes da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelaram que, em agosto, Júnior invadiu a casa do traficante Henrique Falcão de Carvalho, em Serrinha, roubou cocaína e ainda bateu no rival.

“Ele fez isso porque soube que Henrique ia para Cachoeira vender a cocaína. Foi lá e tomou tudo”, revelou a fonte. Em 26 de agosto, Henrique foi preso com 20 quilos de maconha em Serrinha.

Poder

O sonho de criar um comando criminoso era antigo, segundo um amigo de infância que pediu anonimato. “Trabalhamos como pedreiros juntos. Ele sempre teve vocação para bandido e sempre dizia que queria ser o maior bandido da Bahia”.

O amigo conta que Júnior concluiu o ensino médio. “Era muito apegado à leitura. Dizia que lia uns livros sobre dinheiro de um tal de Marx (Karl Marx) e que gostava muito do alemão da guerra (o ditador Adolf Hitler)”, lembrou.